Pastor é denunciado por abuso de menor após menina perguntar: 'Vô, o que é estupro?'

·3 min de leitura
Segundo a mãe, a menina teve seu estado de saúde mental agravado após ser submetida aos atendimentos com o pastor Antônio Carlos de Jesus da Silva, de 53 anos.
Segundo a mãe, a menina teve seu estado de saúde mental agravado após ser submetida aos atendimentos com o pastor Antônio Carlos de Jesus da Silva, de 53 anos. (Foto: Getty Images)
  • Um pastor foi denunciado pelo MP por estupro de vulnerável contra uma menina de 11 anos

  • O caso veio à tona após ela perguntar ao avô: "O que é estupro?"

  • À polícia, o pastor negou as acusações

Um psicólogo e pastor da Primeira Igreja Batista da Vila Kennedy, localizada na zona oeste do Rio de Janeiro, foi denunciado pelo Ministério Público por estupro de vulnerável contra uma menina, na época com 11 anos, e com transtornos mentais. Os abusos teriam ocorrido entre novembro de 2020 e abril de 2021. O caso veio à tona após ela perguntar ao avô: "O que é estupro?".

"Indo para um encontro da igreja num dia, ela perguntou: 'Vô, o que é estupro?'. Meu pai respondeu e imediatamente ela contou que o pastor agarrou ela por trás e se esfregou nela. A gente ficou em choque, sem acreditar e acreditando ao mesmo tempo, pois era uma pessoa que a gente confiava e conhecia há muito tempo", disse a mãe da garota em entrevista ao portal UOL.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus e-mails em 1 só lugar

Assine agora a newsletter Yahoo em 3 Minutos

De acordo com a mãe, a vítima teve seu estado de saúde mental agravado após ser submetida aos atendimentos com o pastor Antônio Carlos de Jesus da Silva, de 53 anos, e foi necessário redobrar as medicações das quais a criança faz uso. A menina relatou outro caso, dentro do consultório onde o pastor atendia como psicólogo. Ela contou que foi colocada no colo dele, teve o pescoço beijado e o corpo acariciado.

"Eu tenho vivido à base de calmantes. Não imaginava que o pastor da minha igreja seria capaz de fazer isso. Os dois conviviam na igreja e no consultório dele. Ele ofereceu tratamento para cuidar dela. A gente só queria que ela melhorasse, mas só vimos a crises aumentarem, ela ficar abatida e precisando de mais remédios", afirmou ao portal UOL.

Após relatar o caso à família, a criança conseguiu ainda gravar uma conversa entre ela e o pastor. A gravação foi entregue à Polícia Civil em 27 de abril.

A Polícia Civil do Rio investiga ainda se Antônio Carlos de Jesus da Silva, de 53 anos, cometeu o mesmo crime contra outra criança, na época com oito anos de idade. Segundo denúncia da vítima, hoje com 22 anos, o caso ocorreu em 2007 e em 2008. Nos dois casos, os crimes teriam sido cometidos dentro da igreja. Em depoimento, Antônio Carlos negou as acusações.

O inquérito sobre o estupro contra a menina de 11 anos foi denunciado em maio pelo Ministério Público do Rio e aguarda ainda a decisão da Justiça (um impasse para definir a vara responsável pelo processo atrasa o andamento do caso).

Ao concluir o inquérito, a delegacia de Atendimento à Mulher de Campo Grande representou pela prisão preventiva do pastor. O pedido de prisão foi substituído por medidas cautelares como comparecimento mensal ao juízo, proibição de se aproximar da vítima e de manter contato com ela e com os familiares e a suspensão das atividades de pastor e psicólogo.

A decisão da promotora Elisa Fraga de Rego Monteiro levou em consideração que o suspeito compareceu em sede policial para prestar depoimento e não possuía antecedentes criminais.

Antônio foi denunciado pelo artigo 217 (que prevê pena de 8 a 15 anos de prisão a pessoa que manteve conjunção carnal ou praticou ato libidinoso com menores de 14 anos).

A Primeira Igreja Batista em Vila Kennedy publicou uma nota nas redes sociais onde declarou que " A Igreja repudia qualquer tipo de crime e aguarda que a Justiça apure o ocorrido, analisando os fatos e provas apresentadas". De acordo com o comunicado, o pastor Antônio Carlos foi afastado do cargo de liderança e do pastorado.

À Polícia Civil, o pastor negou todas as acusações e justificou os atendimentos para tratar surtos psicóticos da criança. Ele afirmou ser inocente. Já o Tribunal de Justiça do Rio informou que o caso tramita em segredo de justiça e que ontem os autos foram encaminhados para o gabinete do desembargador-relator.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos