Ex-No Limite, pastor que vai casar Eduardo Bolsonaro já foi sequestrado e é 'descolado'

Pedrão durante culto; pastor que vai celebrar casamento de Eduardo Bolsonaro faz sucesso nas redes sociais e já participou do reality 'No Limite' (Reprodução/Instagram)

Por João Conrado Kneipp e Leonardo Sacco

Ele já casou filha de jogador tetracampeão do mundo e também fez o casamento de banqueiro que acabou preso na Lava Jato. Nos anos como pastor, Pedro Luis Barreto, o Pastor Pedrão, já viu bastante coisa nos cultos — e na vida também, já que o caminho da fé começou a ser mais seguido após passar 21 dias sequestrado.

Agora, pastor Pedrão se prepara para casar Eduardo Bolsonaro, deputado estadual pelo PSL de São Paulo e filho do presidente Jair Bolsonaro, e Heloísa Wolf. A cerimônia, que acontecerá no próximo sábado (25), no Rio de Janeiro será mais um marco na carreira do pastor que ficou conhecido na capital fluminense como descolado, muito por conta do estilo com o qual conduz seus cultos.

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“Eu tenho um estilo diferente de pregação, porque eu quero que o cara entenda o que eu estou falando. E falando de uma forma descontraída, porque tem pessoas como o Eduardo Bolsonaro, deputado, mas tem o caseiro, o porteiro, e eu preciso atingir todas as camadas, né?”, afirma Pedrão em entrevista exclusiva ao Yahoo Notícias.

O pastor diz estar tranquilo e muito a vontade para fazer a cerimônia, que segundo ele contará com cerca de 200 convidados e terá tom intimista. Como em seus cultos, Pedrão promete ser curto e simples, dando todo destaque da noite ao casal de noivos. Mesmo com uma plateia ilustre e com a presença do presidente da República, do qual o pastor se diz fã assumido.

“O que eu tenho é que saber me portar. Tem a presença do presidente Jair Bolsonaro lá, eu sou fã dele, mas o foco são os noivos, eles que são o principal. É Deus acima de tudo e Eduardo e Heloísa acima de todos [risos]”, brinca o pastor.

Com a simplicidade como marca registrada, Pedrão não exigiu dos noivos que fizessem nenhum curso para o casamento, apesar de os oferecer em sua igreja. Foi nela, inclusive, que conheceu antes mesmo das eleições de 2018 Rogéria Bolsonaro, mãe de Eduardo, Carlos e Flávio, os três filhos mais velhos do presidente.

A ex-mulher do presidente foi apresentada ao pastor por um amigo em comum, também frequentador da igreja onde Pedrão ministra seus cultos.

“Faz um ano, um ano e pouquinho, foi antes da eleição. Ela veio, me conheceu, voltou algumas vezes e trouxe o Flávio aqui. Aí hoje ele não vem porque está em Brasília desde que foi eleito senador”, conta Pedrão. “Aí um dia ela [Rogéria] me ligou de noite falou que tinha um pedido. Que ela se identificou comigo, que achava que eu ia me identificar com o casal”.

Daí para frente, conta o pastor, poucos encontros com o casal, acerto de agendas e tudo estava definido. Pedrão afirma que uma das coisas que mais gostou de ter sido escolhido, foi pelo fato da escolha ter sido feita pela mãe do noivo. “Difícil hoje em dia, né? Confiar assim na mãe. Achei bonito”.

Irmãos como padrinhos e união da família

Outro fato que tocou o pastor foi a escolha dos irmãos Carlos e Flávio como padrinhos. O elo entre a família, garante Pedrão, não só o faz olhar de forma diferente para o casal como o ajudou na hora de escolher em quem votar nas últimas eleições.

Jair Bolsonaro e seus quatro filhos homens: Eduardo, Flávio, Jair Renan e Carlos; presidente ainda é pai da caçula Laura (Reprodução/Instagram)

“Acho muito legal que os irmãos serão padrinhos, né? O Flávio e o Carlos, muito bacana isso, mostra a amizade entre eles”, explica Pedrão.

O pastor não é exatamente próximo da família Bolsonaro e nunca teve contato direto com o presidente. Conheceu Michelle, a primeira-dama, em um restaurante. Quem os apresentou foi Magno Malta, importante estandarte do bolsonarismo durante a campanha de 2018.

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“A gente nunca havia conversado, mas ela já sabia de mim, da minha história. Isso foi num restaurante na Barra da Tijuca mesmo. Nessa época eu ainda não havia sido escolhido para a cerimônia e depois disso ainda não encontrei com ela e nem com o Jair”, afirma ele, que também achar muito positiva com a forma como Rogéria, ex-mulher, se refere ao presidente: “Falei pra ela [Rogéria] que ia votar no Bolsonaro e ela me respondeu que ele era um cara sério. Eu achei legal demais ela destacar isso

O destaque que o pastor dá à união da família é simples de se entender quando se sabe da história de Pedrão. Ao abrir o voto em Bolsonaro, fala que o fez pela tríade família, segurança e combate à corrupção. Os dois primeiros, diretamente ligados ao episódio que marcou sua vida.

Sequestro e fortalecimento da fé

Foi em 1991 que a vida de Pedrão deu o que ele considera sua principal volta. Filho de um dos sócios da Golden Cross, companhia que vende diversos tipos de seguro, ele conta que foi levado e mantido em cativeiro por 21 dias ao lado de sua irmã. Foi nesse período que sua relação com a fé se intensificou.

Matéria publicada no Jornal do Brasil em 2 de outubro de 1991 sobre o fim do sequestro do pastor Pedrão e sua irmã (Reprodução/Arquivo/Jornal do Brasil)

“Eu e minha irmã ficamos sequestrados 21 dias. Entre a vida e a morte, né? Porque a porta abria e você não sabia se ia ser solto, se ia ser morto. Aí eu pensei: agora estou aqui, dependendo de Deus, porque sempre fui evangélico. E ali eu falei: eu quero saber quanto meu filho calça, que número, quero participar mais, saber mais. Uma vontade de estar perto da família. E então a polícia estourou cativeiro. E foi na época do governo Brizola, que a polícia não conseguia fazer nada. E o cativeiro estourado foi o meu. Um presente de Deus”, lembra o pastor.

Antes da vida de pastor, uma vida ‘No Limite’

Mas não foi logo depois de livre que Pedrão partiu para vida religiosa. Antes, ficou conhecido no Brasil inteiro como… Pastor Pedrão, integrante do reality show No Limite, que passou na Rede Globo entre 2000 e 2001, com breve retorno em 2009. Pedrão foi integrante na terceira edição do programa.

Pedro, participante de 'No Limite', reality no qual virou Pastor Pedrão, que irá celebrar o casamento de Eduardo Bolsonaro no próximo sábado (25) (Reprodução/TV Globo)

O pastor afirma que foi procurado para fazer parte do programa, que nunca foi atrás de nenhum processo. Mesmo assim, garante que passou por uma série de testes para estar entre os 12 participantes do reality. Uma vez dentro, Pedrão afirma ter se surpreendido por conta do quão real era o perrengue vivo pelos integrantes.

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“Você acha que a Rede Globo tá lá, mas eles não interferem, você fica largado lá mesmo. Mas era difícil. Muito mosquito, pouca comida e água, mas a gente se divertiu à beça. Parecia férias umas horas, tomando banho de rio [risos]”, conta Pedrão.

O pastor, que não era pastor na época, afirma que ganhou o apelido que usa até hoje no programa. Lá, conviveu com pessoas das mais diferentes religiões e conta ter feito amizades que duram até hoje.

No sábado, passará por mais uma prova e mais um momento marcante na vida. Agora com comida abundante em volta, 200 convidados, Deus acima de tudo e Eduardo e Heloísa acima de todos, Pedrão se prepara para entrar na História como pastor que casou o filho do presidente.