Patente da Apple revela sistema de Smart Home autônomo

Rafael Arbulu

Uma nova patente registrada pela Apple, e publicada em 13 de fevereiro de 2020, revela de um dispositivo de casa inteligente (Smart Home) que seria capaz de configurar a si próprio, aliviando o usuário da necessidade de fazer os ajustes mais finos dele.

Na documentação, a Apple reconhece a qualidade dos dispositivos atualmente disponíveis no mercado, mas ressalta o trabalho processual que é configurá-los, em especial para usuários leigos: se você tem, por exemplo, dois Amazon Echo instalados em pontos diferentes da casa, terá que ajustar ambos para funções específicas de acordo com o cômodo onde se encontram — um deles controla a luz e o ar condicionado da sala de estar, enquanto o outro, liga e desliga a TV do quarto, por exemplo. Isso para dispositivos iguais, já que, em caso de produtos diferentes na mesma casa, o tempo e a dificuldade são dobradas.

(Imagem: Reprodução/The Verge)

O dispositivo na patente da Apple elimina isso, já que, segundo a empresa, ele pode identificar sozinho novos dispositivos conectados, em qual como ele se encontra e, finalmente, autenticá-lo para o seu controle. Tudo de forma automática. Na prática, isso significa, por exemplo, que no caso de um novo interruptor inteligente de luz for instalado, o sistema automaticamente o encontraria no painel de controle do app Home (disponível via iOS/iPadOS), exibindo as funções disponíveis para ele.

Mais além, o dispositivo previsto na patente contaria com sensores tempo de vôo (Time of Flight, ou simplesmente “ToF”) para identificar outros hubs de casa inteligente, além de objetos inanimados como sofás, mesas de centro e eletrodomésticos e, finalmente, saber se e por onde você está caminhando pela casa. O uso do sensor seria para que o sistema interno do gadget gerasse um mapa interno da residência, identificando todos os pontos e conectando-se com outros dispositivos via ondas de rádio.

Sobre rastrear o usuário pela casa, o sistema poderia até mesmo confirmar se a pessoa detectada é um usuário “autenticado” por ele. Na possibilidade de não ser uma pessoa autorizada, o dispositivo travaria certas funções essenciais de controle da casa.

(Imagem: Reprodução/The Verge)

Evidentemente, isso é apenas uma patente, então não se pode afirmar que isso vire um produto final por parte da Apple. Além do mais, existem muitas variáveis a serem consideradas: quando o Canaltech testou o kit Casa Inteligente da Positivo, por exemplo, era possível controlar os itens conectados por outros assistentes, como Google Assistente ou Alexa, mas funções mais aprimoradas — intensidade e mudança de cores da luz, por exemplo — eram exclusivas do aplicativo da fabricante.

Isso tanto é verdade que questões de conectividade entre dispositivos diferentes sempre foi um ponto levantado por especialistas do setor: hoje, a recomendação é que o usuário evite adquirir produtos do tipo que venham de fabricantes diferentes, a fim de manter sempre uma conexão otimizada entre os itens e o controle da casa.

A Apple, no melhor jeito Apple de ser, manteve o silêncio sobre a patente, mas ela está longe de ser a primeira a pensar em algo tão robusto: uma empresa chamada Intellithings tem algo similar para identificar smartphones de usuários conhecidos e desconhecidos por ele, ao passo que alguns modelos do robô-limpador Roomba traz uma função de mapeamento em 3D para aspirar a sujeira do chão sem entrar em conflito cadeiras, pés de mesa e afins.

Fonte: Canaltech

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