Patrícia Cardoso é candidata mais votada para o cargo de defensora-geral do estado do Rio

Defensoras e defensores públicos do Rio, da ativa e aposentados, votaram nesta sexta-feira para eleger a primeira mulher para o cargo de defensora pública-geral do Rio de Janeiro. Pela primeira vez em sua história, desde 1954, uma mulher estará à frente da instituição no biênio 2023-2024. Ao todo, foram contabilizados 1115 votos. A defensora mais votada foi Patrícia Cardoso, escolhida com 46,59% dos votos. A segunda candidata mais votada foi Suyan Liberatori, com 30,6%, seguida de Sheila Soares, que recebeu 22,79% dos votos.

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Agora, os nomes das candidatas seguirão para o Palácio Guanabara, em lista tríplice, por ordem de votação, como prevê a lei, para que o governador Claudio Castro realize a nomeação da futura defensora pública-geral, cuja posse será em janeiro de 2023. O governador tem 15 dias, a contar do recebimento da lista, para publicar a nomeação no Diário Oficial do Estado.

Obrigatório para defensoras e defensores públicos da ativa, e facultativo para aposentadas e aposentados, o voto é plurinominal: cada votante escolhe até três candidaturas.

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A eleição foi realizada das 10h às 17h desta sexta-feira, pelo Sistema Eletrônico de Votação (SEV), com acesso por meio do site da Defensoria, franqueado com o uso do ID funcional e a senha do contracheque. A apuração dos votos foi feita logo após o encerramento da votação, no auditório do 2º andar da sede.

Conheça as candidatas

Patrícia Cardoso Maciel Tavares é defensora pública desde 1994. Graduada em Direito pela Universidade Gama Filho, foi professora e coordenadora de disciplinas do curso de Direito da Universidade Estácio de Sá no período de 1998 a 2010. É titular do Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon) desde 2011, tendo sido subcoordenadora de superendividamento em 2013 e coordenadora de 2015 a 2020.

Desde outubro de 2020, ela exerce a função de coordenadora cível da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, sendo responsável pela assessoria institucional em matéria cível, com foco na atuação estratégica, criando projetos e dinâmicas para o aperfeiçoamento da atuação dos Defensores Públicos.

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— Depois de 28 anos de carreira poder viver esse momento está sendo emocionante. Eu estou há cinco meses fazendo campanha, que foi longa, percorri o estado do Rio, conversei com centenas de colegas, fiz mais de 50 reuniões. Ao longo da minha carreira, eu percorri o interior, a Baixada Fluminense, as regionais, virei titular do Nudecon e hoje estou como coordenadora cível. Acho que todas as experiências foram me preparando para ser candidata — afirmou Patrícia, que continua:

— A minha indignação com as injustiças é o que me levou a vontade de fazer a faculdade de Direito e trabalhar para os mais vulneráveis. A única opção que eu vi para realizar esse meu enorme desejo era sendo defensora pública. Eu pretendo ser a primeira defensora mulher para ocupar esse espaço de poder e prestar o serviço da assistência jurídica integral com o máximo de excelência, preservando o modelo público da assistência jurídica integral e gratuita, como determina a constituição — disse.

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Única candidata negra e de oposição, Sheila Soares tem 29 anos de dedicação à Defensoria do Rio. Nesse tempo, teve participação em todas as áreas de atuação da profissão, ocupando cargos de liderança. Integra o Conselho Superior da Defensoria e foi ouvidora da Caixa de Assistência aos membros da Defensoria (CAMARJ). Atua em duas varas cíveis e na Vara de Fazenda Pública. É viúva e tem dois filhos, de 17 e 20 anos. Se eleita, será a primeira mulher e negra a ocupar o cargo de defensora pública-geral do Rio. Sua proposta prioriza a valorização profissional das defensoras e defensores para uma Defensoria mais forte e transparente.

— Atualmente existem três problemas principais que acabam prejudicando a entrega da nossa atividade fim: problemas de sistema que afetam a celeridade eletrônica, de equipe de apoio, e as nossas prerrogativas, que precisam ser respeitadas. Eu acredito que todos os defensores, funcionários, estagiários e assistidos têm de ser ouvidos. Na minha chapa tem representante de todas as classes. Com transparência, quero deixar nosso DNA no desenvolvimento e crescimento da defensoria — disse Sheila, que destacou a importância do trabalho do defensor público diante do cenário econômico e social do país:

— Nós temos o poder de mudar a realidade da sociedade mais vulnerável, daquele que nunca é ouvido. Há famílias inteiras vivendo nas ruas, as audiências de custódia aumentaram de forma absurda, a fome aumentou e muitas pessoas foram presas furtando comida nos mercados. A gente precisa de uma defensoria ativa e forte para defender o povo do Rio de Janeiro que tanto sofreu com a pandemia — disse, emocionada.

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Suyan Liberatori é defensora pública há 25 anos. Pós-graduada, ela é mestre em processo penal e criminologia pela Cândido Mendes. Atualmente é defensora pública titular da 6ª e da 28ª Varas Cíveis da Comarca da Capital, onde atua há mais de 10 anos. Ao longo da carreira, atuou em cidades do interior do Rio (Itaperuna, Bom Jesus do Itabapoana, Mangaratiba, Sumidouro, Sapucaia, Conceição de Macabu, Resende), Baixada (Núcleo de Primeiro Atendimento Cível de São João de Meriti), na capital, na vara Criminal de Campo Grande, Vara Cível de Madureira, além da Auditoria Militar. No início de sua carreira, Suyan também foi nomeada como diretora na ADPERJ.

— Comecei na Defensoria como estagiária e foi paixão à primeira vista. Me dediquei ao concurso público com 22 anos, e tenho uma vida dedicada à defensoria. É um momento muito simbólico essa representação do poder feminino dentro da instituição. São três mulheres concorrendo ao cargo. Cerca de 70% da nossa instituição é de mulheres e boa parte dos nossos assistidos são mulheres — disse a candidata, que acrescenta:

— Eu acho que eu tenho o diferencial de circular em todos os ambientes da defensoria. Eu não vejo uma divisão interna entre defensores. A gente costuma usar que é a defensoria é uma poesia na constituição. Porque ela é expressão e instrumento da democracia. É nisso que eu acredito e que temos que trazer nessa nova gestão, acolhendo os defensores em suas necessidades e questões — avalia.