Pátria amada é pátria sem armas: o potente recado do arcebispo de Aparecida

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Brazilian President Jair Bolsonaro gestures during a ceremony for the Olympic and Paralympic athletes who participated in the Tokio 2020 Olympic Games, at Planalto Palace in Brasilia, on October 6, 2021. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Evaristo Sá/AFP (via Getty Images)

Na missa principal do principal feriado cristão do Brasil, realizada no maior santuário do país, o arcebispo de Aparecida (SP), Dom Orlando Brandes, fez um dos mais fortes discursos contra o projeto de destruição encarnado por Jair Bolsonaro desde sua eleição.

Num recado claro, embora indireto, ele afirmou que para o Brasil ser uma “pátria amada” —slogan do atual governo — é preciso ser “uma pátria sem ódio”, “sem mentira e sem fake news”. Pátria amada, segundo ele, não pode ser uma “pátria armada”.

Nem precisava citar nomes para que os espectadores e fieis ali presentes entendessem que se tratava de uma mensagem para o presidente armamentista, que recentemente sugeriu aos conterrâneos trocarem feijão por fuzis e que, na semana passada, posou para fotos com uma criança simulando portar uma arma.

A fala do arcebispo foi feita pouco antes de Bolsonaro comparecer ao santuário, onde participou de uma missa no início da tarde e realizou uma das leituras.

Brades lamentou as mortes na pandemia, defendeu a ciência e a vacina, e pediu “que cada um de nós” abraçasse “nossos índios, primeiro povo dessa terra”, e “os negros, que logo vieram fazer parte desta terra”.

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Bolsonaro é alvo de protestos de povos originários, que há algumas semanas se concentraram na Praça dos Três Poderes para pressionar o Supremo Tribunal Federal a derrubar o projeto que institui o marco temporal e dificulta a demarcação de terras indígenas. O presidente é entusiasta da proposta.

Em anos anteriores, o arcebispo já havia criticado as queimadas e desmatamentos na Amazônia e no Pantanal e também chamou a direita brasileira de “violenta e injusta”.

O arcebispo tem mantido a posição em uma cidade onde o atual presidente recebeu 78% dos votos no segundo turno de 2018. Quem visitou Aparecida recentemente provavelmente percebeu que não é difícil encontrar na cidade mensagens de apoio ao capitão, muitas em forma de cartazes, afixados por representantes do comércio local, muito afetados pelas medidas de restrição social durante a pandemia. 

Perto do santuário, no entorno da primeira capela que recebeu a santa padroeira do Brasil, lojas de artigos de caça e insígnias armamentistas já se espalham, num contraste com os propósitos pacificadores da padroeira —e num reflexo do restante do país.

Em resposta à escalada autoritária no país, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil não tem pecado pela omissão. No feriado de 7 de Setembro, por exemplo, a entidade orientou os brasileiros a não se deixarem convencer por “quem agride os poderes Legislativo e Judiciário”. Segundo a CNBB, “a existência de três Poderes impede totalitarismos”.

Como diz a passagem bíblica, quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Está em Mateus, capítulo 13, versículo 9.

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