Patrimônio nacional, baianas do acarajé enfrentam barreiras para manter tradição viva

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Foto: Divulgação/Lia de Paula/MinC
Foto: Divulgação/Lia de Paula/MinC
  • Dia Nacional das Baianas é comemorado nesta quinta (25).

  • Apesar do reconhecimento no calendário nacional, categoria ainda luta por direitos à saúde, renda e igualdade.

  • O cenário tem se tornado ainda mais sensível devido à crise financeira gerada pela pandemia e a escassez de políticas públicas voltadas para a categoria.

Texto: Dindara Ribeiro

Consideradas patrimônio nacional e imaterial da Bahia, as baianas de acarajé são homenageadas nacionalmente nesta quinta-feira (25) e simbolizam a luta de mulheres que mantêm viva a cultura, tradição e a resistência da ancestralidade africana no Brasil. Reconhecido como profissão desde 2005, o ofício das baianas de acarajé representa uma vitória de emancipação para a categoria, inicialmente formada por mulheres negras que saíam pelas ruas com a venda de quitutes para poder comprar a sua liberdade e também sobreviver.

Apesar da sua importância e reconhecimento, as baianas ainda encontram barreiras para se manterem nos tabuleiros, já que estão desde 2015 sem a revalidação do título de patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e desde 2017 sem a renovação do selo pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac).

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O cenário tem se tornado ainda mais sensível devido à crise financeira gerada pela pandemia e a escassez de políticas públicas voltadas para a categoria. Baiana há quase dez anos no bairro de Itapuã, Rosalva dos Santos, 63, conta que chegou a passar necessidade no início da pandemia, junto com o neto, de 14 anos. Para ela, apesar da celebração, é necessário que a valorização das baianas seja refletida em políticas públicas mais efetivas por parte do governo estadual e nacional.

"Eu tenho orgulho de ser baiana e trabalhar com o que eu amo. Agora, acho que tinha que existir um movimento coletivo que valorize as baianas não só por causa do turismo, mas também por causa da história e de tudo que a gente representa".

"Nós somos as representantes do Brasil"

Preparação de Acarajé. (Foto: Divulgação/Iphan/Francisco da Costa)
Preparação de Acarajé. (Foto: Divulgação/Iphan/Francisco da Costa)

Atualmente, cerca de três mil baianas são regulamentadas na Bahia, segundo a Associação Nacional das Baianas de Acarajé, Mingau, Receptivo e Similares (Abam). A renovação do selo de patrimônio cultural é feita de dez em dez anos pelo Iphan e a cada cinco anos pelo Ipac e é essencial para salvaguardar a atuação e a importância das baianas, figuras emblemáticas na história da Bahia e do Brasil. A Alma Preta questionou o Ipac e o Iphan sobre a demora na concessão da renovação e quais encaminhamentos já foram feitos, no entanto, não obtivemos resposta até o fechamento da matéria.

Segundo Rita Santos, presidente da ABRAM, mesmo com uma série de direitos conquistados, a categoria busca pelo reconhecimento mundial e pede por políticas públicas de saúde e economia que garantam a sobrevivência das baianas.

"Nós precisamos de políticas públicas na área da saúde, principalmente nesse momento. Por conta da pandemia, temos muitas baianas que ainda não puderam voltar a trabalhar porque não tem o dinheiro para comprar mercadoria. Temos baianas em casa ainda dependendo de cestas básicas; baianas que venderam seus tabuleiros, que venderam o seu botijão de gás para comprar comida para dentro de casa e agora não está conseguindo retornar ao seu trabalho".

A presidente vê a celebração como um marco de resistência. “O dia 25 de novembro é uma data para a gente marcar território, para mostrar para a sociedade que nós estamos aqui e vamos continuar por mais 300 anos. É uma data de resistência, é uma data de perseverança [...] O dia das baianas é os 365 dias do ano que a baiana tem que ser respeitada e valorizada”, completa.

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