Paulistana é obrigada por militares a tirar cartaz contra Bolsonaro em ponto de vacinação

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Roberta chegou ao posto de vacinação com cartaz responsabilizando o presidente Jair Bolsonaro pelas mortes por covid-19 (Foto: Reprodução)
Roberta chegou ao posto de vacinação com cartaz responsabilizando o presidente Jair Bolsonaro pelas mortes por covid-19 (Foto: Reprodução)
  • Ao ir se vacinar no Memorial da América Latina, mulher levou cartaz de protesto e foi obrigada por militar a retira-lo

  • Manifesto estava colado no carro e responsabilizava Jair Bolsonaro pelas mortes por covid

  • Segundo militares, a ordem seria do Comando do Exército

Na manhã desta quinta-feira (8), Roberta Rodrigues foi ao Memorial da América Latina, na cidade de São Paulo, para tomar a vacina contra a covid-19, no posto drive-thru instalado no local. No carro, ela colocou um cartaz como forma de protesto, em que fazia críticas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). No entanto, foi abordada por militares que estavam no local para retirar o manifesto.

O cartaz dizia: “528.540 não tiveram chance. Não desperdice a sua: vacine-se. Essas mortes poderiam ter sido evitadas. Não foram e só tem um culpado. Jair Bolsonaro. SUS salva. Ele não”.

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“Eu fui me vacinar hoje no Memorial da América Latina e resolvi colocar um cartaz manifestando minha indignação no meu carro. E estava escrito Jair Bolsonaro no cartaz”, relatou Roberta ao Yahoo! Notícias. “Algumas pessoas tinham me abordado antes, uma pediu para tirar uma foto, outros pararam para ler, uma mulher disse que concordava.”

No Memorial da América Latina, ao entrar com o carro no posto drive-thru, ela notou que havia dois militares parando, olhando para o carro dela. “Ouvi eles falando ‘ela está falando do Bolsonaro’ e pensei, bom, é comigo.”

Em seguida, um dos militares aproximou-se do carro e pediu para falar com Roberta. “Você não pode estar com esse cartaz, com essa manifestação aqui, porque você está falando do Bolsonaro”, explicou.

“Eu perguntei se eu não poderia falar do Bolsonaro ou não podia falar mal do Bolsonaro”, relatou Roberta. O militar, então, respondeu que ela não poderia falar do presidente. “Perguntei de quem era a ordem, e ele disse ‘é do Comando do Exército’.”

A mulher pediu, então, para que o militar retirasse o cartaz. Ele tirou e devolveu a ela a manifestação. “Não teve nenhum tom mais acima, mas eu confesso que fiquei muito insegura até de exigir meu direito. Eu estava sozinha e me senti bem insegura”, revelou.

Roberta assumiu que gostaria de ter feito mais questionamentos, pois considerou estar sendo censurada, mas temeu ser detida. Ela ainda lembrou da nota das Forças Armadas, divulgada na noite de quarta-feira (7), contra o senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Covid.

“O que me causou medo foi ver aquela nota do Exército ontem para o presidente da CPI da Covid. Por mais que eu estivesse no meu direito, eu tenho medo.”

Procurados, o Exército e o Ministério da Defesa não se manifestaram até a publicação desta reportagem.

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