Paulistanos vão para a Baixada Santista apesar do apelo de autoridades para ficar em casa

ALFREDO HENRIQUE
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PRAIA GRANDE, SP, BRASIL  - 27.03.2021 - Movimento de turistas nas praias de São Paulo. As cidades da baixada santistas estão em lockdown devido a pandemia, mas muitos paulistanos viajaram para aproveitar o megaferiado da capital. Barreira sánitaria na entrada da cidade pela rodovia Ayrton Senna, que é a continuação da Imigrantes. (Foto: Rubens Cavallari/Folhapres)
PRAIA GRANDE, SP, BRASIL - 27.03.2021 - Movimento de turistas nas praias de São Paulo. As cidades da baixada santistas estão em lockdown devido a pandemia, mas muitos paulistanos viajaram para aproveitar o megaferiado da capital. Barreira sánitaria na entrada da cidade pela rodovia Ayrton Senna, que é a continuação da Imigrantes. (Foto: Rubens Cavallari/Folhapres)

PRAIA GRANDE, SP (FOLHAPRESS) - Mesmo sabendo sobre as restrições impostas pelo lockdown em toda a Baixada Santista e apesar dos apelos das autoridades sanitárias para que evitem sair de casa, moradores da capital paulista e do ABC desceram a serra neste sábado (27) para passar parte do megaferiadão nas praias do litoral.

As prefeituras de São Paulo e das sete cidades do ABC anteciparam feriados com o objetivo de diminuir a circulação de pessoas nas ruas e frear o avanço do novo coronavírus, que já matou mais de 300 mil no país. Já nas nove cidade da Baixada Santista, o lockdown começou no dia 23 de março e vai até 4 de abril, com comércio não essencial fechado e restrição de transporte público.

Nem mesmo as barreiras sanitárias feitas pelas prefeituras da Baixada Santista foram suficientes para barrar a entrada de turistas. Uma delas funciona 24 horas na avenida Ayrton Senna, uma das vias de acesso à Praia Grande.

Segundo o coronel Mauricio Mizuni, Secretário da Segurança da cidade do litoral, cerca de 1.200 abordagens diárias são feitas nessa barreira, iniciada no dia 23. Deste total, cerca de 70 condutores foram impedidos de entrar na cidade.

"Argumentamos com as pessoas que não há opção para turismo na cidade e algumas se convencem e voltam para suas cidades de origem. Já aconteceu também de um senhor, afirmando estar com Covid-19, tentar entrar no município. Ele foi impedido e voltou para a cidade de origem", relatou.

Os dados sobre as abordagens deste fim de semana, incluindo eventuais autuações pelo não uso de máscaras, serão divulgados na segunda-feira (29), afirmou o coronel.

SÃO VICENTE

Nem mesmo as barreiras sanitárias feitas pelas prefeituras foram suficientes para barrar a entrada de turistas. Uma delas funciona 24 horas na avenida Ayrton Senna, uma das vias de acesso à Praia Grande.

Segundo o coronel Mauricio Mizuni, Secretário da Segurança da cidade do litoral, cerca de 1.200 abordagens diárias são feitas nessa barreira, iniciada no dia 23. Deste total, cerca de 70 condutores foram impedidos de entrar na cidade.

"Argumentamos com as pessoas que não há opção para turismo na cidade e algumas se convencem e voltam para suas cidades de origem. Já aconteceu também de um senhor, afirmando estar com Covid-19, tentar entrar no município. Ele foi impedido e voltou para a cidade de origem", relatou.

Os dados sobre as abordagens deste fim de semana, incluindo eventuais autuações pelo não uso de máscaras, serão divulgados na segunda-feira (29), afirmou o coronel.

Usando máscara, o aposentado Cleantro Martins, 83, havia acabado de chegar a Praia Grande, por volta das 8h50. Morador de Interlagos (zona sul de São Paulo), ele resolveu ir para a praia para "respirar o ar litorâneo".

"Eu sabia que tudo ia estar fechado, mas só de respirar o ar do mar, já fico imunizado contra coronavírus", afirmou, sem nenhum tipo de embasamento científico.

Com residência na cidade, na região do Boqueirão, o aposentado afirmou ter abastecido a despensa com alimentos suficientes até segunda-feira (29), quando retorna para São Paulo.

Caminhando de mãos dadas e sem máscaras de proteção, um casal também da capital paulista circulava pelo Boqueirão. Ao serem abordados pela reportagem, o empresário Edgard da Silva, 57, e sua namorada, a dentista Ana Lúcia Lago, 53, taparam narizes e bocas com os itens de segurança.

Com casa na Praia Grande, o empresário afirmou subir e descer a serra nos últimos 90 dias. "A vantagem deste período de quarentena é que, pelo menos, não há tráfego forte na estrada e dá para chegar rápido na praia", afirmou.

O empresário disse ser contra o lockdown na cidade, apesar de reconhecer que a medida diminuiu a quantidade de pessoas nas ruas. "Sou 101% contra esse lockdown, da forma que está sendo feito. Restringir os comércios, as praias, não adianta para evitar a disseminação do vírus", disse.

A dentista acrescentou que, na noite desta sexta-feira (26), o casal foi a um supermercado, segundo ela, havia aglomeração. "O lugar lotou de gente, pois no fim de semana não pode atender ao público. Uma aglomeração foi gerada por causa de uma medida que tenta impedir isso", disse.

Na Praia Grande, os supermercados, açougues e padarias podem funcionar somente no esquema de delivery aos fins de semana.

Na praia do Boqueirão, a auxiliar administrativa Luana Carvalho, 27, caminhava com duas amigas em uma calçada da avenida Castelo Branco. Moradora de São Bernardo do Campo (ABC), ele decidiu aceitar o convite das amigas e ir para o litoral mesmo sabendo do lockdown.

"Só de mudar de ares, ficar em um ambiente mais calmo e silencioso, já ajuda a desligar da correria do ABC", afirmou.

Sobre o lockdown, ela afirmou "não adiantar" pois ele "tira as pessoas das ruas", mas proporciona reuniões na casa de amigos.

"Teve uma festa ontem [sexta] com umas 30 pessoas na casa de um amigo. Ninguém com máscara. Isso aconteceu porque na rua não pode circular", afirmou uma das amigas de Luana, que não se identificou e acrescentou já ter sido infectada pela Covid-19.

PROTESTO DE SURFISTAS

Na praia do Boqueirão, cerca de 20 surfistas, aglomerados, protestavam no calçadão contra a proibição da prática do esporte no mar.

Com uma prancha sob um dos braços e máscara de proteção, um surfista que se identificou como Daniel Boy, 38, justificou a realização do ato. "O surfe é um esporte individual. Por isso, a prefeitura poderia autorizar para que a gente use o mar. É só determinar pontos da praia que podem ser usados. Isso não gera aglomerações", argumentou.

Com gritos coordenados como "queremos surfar" o grupo foi dispersado instantes depois pela GCM (Guarda Civil Municipal).

Um guarda disse ao Agora, em condição de anonimato, que cerca de dez surfistas foram flagrados no mar, por volta das 8h, na praia da Guilhermina. Eles foram abordados e retirados do local. Todas as praias da Baixada Santista estão interditadas ao público.

A faixa de areia estava deserta no período da manhã na Praia Grande e o calçadão era usado por ciclistas e atletas de fim de semana, sendo a maioria sem máscara. Esportes individuais, porém, são permitidos até as 8h na cidade, medida descumprida gritantemente, como constatado pela reportagem por toda a manhã.

Na calçada oposta à praia, dezenas de pessoas também caminhavam, a maioria também sem máscaras de proteção.

Ignorando a interdição feita com fitas de isolamento, ao menos 20 pessoas se divertiam na Praia Itararé, por volta do meio-dia deste sábado, como se não existisse mais pandemia.

A reportagem flagrou pessoas se banhando no mar, outras caminhando na areia, de forma aglomerada e sem máscara e, inclusive, consumindo cerveja, vendida por um quiosque que funcionava irregularmente no local. Havia inclusive crianças entre os frequentadores da praia.

A Prefeitura de Praia Grande foi questionada pela reportagem mas não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.