Paulistanos veem mais tratamento desigual a pessoas negras em shoppings, diz pesquisa

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Shoppings e comércios são os lugares da cidade de São Paulo em que as pessoas mais percebem tratamento desigual em relação a pessoas brancas e negras. É o que aponta a pesquisa "Viver em São Paulo: Relações Raciais", lançada pela Rede Nossa São Paulo, ONG vinculada ao Instituto Cidades Sustentáveis.

Segundo os entrevistados, a principal medida para combater o racismo na cidade deveria ser aumentar a punição por injúria racial (45% das respostas), o que foi apontado tanto por paulistanos que se declararam brancos quanto pelos que se disseram pretos ou pardos.

No entanto, enquanto para brancos a segunda melhor medida é debater o tema nas escolas (36%), as pessoas pretas e pardas acham importante tornar mais severas as punições contra policiais que cometem abusos contra essa população (31%).

A pesquisa consultou 800 moradores da capital paulista com 16 anos ou mais, pessoalmente e online, com margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. A amostra foi ponderada de acordo com a população de cada região da cidade. Além disso, 51% dos participantes são pretos e pardos e 46% são brancos.

Enquanto 77% dos ouvidos apontam ver nos shoppings e comércios diferença de acesso de pessoas brancas e negras e de atendimento de cada população, o mesmo problema é notado em ruas e espaços públicos (71%) e no transporte público (70%), que ficaram numericamente em segunda e terceira posições. Em sete dos dez tipos de locais avaliados em 2022, a maioria da população entrevistada entende que há diferença no tratamento de pessoas negras e pessoas brancas.

Um dos casos de racismo envolvendo shoppings ocorreu julho deste ano, quando os pais de um adolescente negro registraram boletim de ocorrência com a denúncia de que o filho, o sobrinho e um amigo foram vítimas de racismo em uma loja no Pátio Higienópolis, na zona oeste. Eles afirmaram que um segurança passou a seguir os meninos pelo estabelecimento.

À época, o shopping afirmou que entrou em contato com a cliente e com o lojista para apurar os fatos assim que tomou ciência do ocorrido, além de dizer que promove treinamentos e palestras educativas para o público interno e lojistas.

Segundo os entrevistados, a principal forma de participação de pessoas brancas no combate ao racismo deve ser a informação e a educação sobre o tema (54% na média geral), resultado semelhante ao encontrado na pesquisa do ano passado.

A intervenção em situações de tratamento diferente para pessoas negras aparece numericamente em segundo lugar (34%), e reconhecer os próprios privilégios e o racismo estrutural, em terceiro (28%).

De forma geral, as pessoas ouvidas pela pesquisa concordam que o racismo é um problema central na cidade. No entanto, em relação ao ano passado, caiu de 86% para 80% a percepção entre a população de que o racismo prejudica o desenvolvimento da capital. Essa percepção caiu de forma mais acentuada entre a população preta e parda (de 87% a 79%).

No total, 80% dos entrevistados declararam concordar com a afirmação de que a violência policial afeta principalmente as pessoas negras.