Paulo Barros repetirá dobradinha entre Rio e SP como carnavalesco da Paraíso da Tuiuti e da Gaviões da Fiel

João Paulo Saconi
Paulo Barros será o carnavalesco da Tuiuti para 2021

RIO - Paulo Barros ganhou fama contrariando as expectativas. Em 2004, quando passou a assinar os carnavais da Unidos da Tijuca, o artista lembra que não havia expectativa de campeonato para seu desfile de estreia — a escola, à época, era considerada mediana. Em 2021, a aposta do carnavalesco será em alçar a Paraíso do Tuiuti, agremiação do bairro de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, ao mesmo estrelato que conseguiu com os três campeonatos conquistados em território tijucano. Fechado nesta segunda-feira com a nova casa, Barros está contente não só por anunciar o destino selado no Rio, como por também fazê-lo em São Paulo: lá, ele seguirá comandando os trabalhos da Gaviões da Fiel.

— Conversei com o Renato Thor (presidente da Paraíso do Tuiuti) e estamos felizes com o acerto. Sei que vão dizer que estou assumindo uma escola mediana (a Tuiuti ficou em 8º e 11º lugar nas duas últimas temporadas), mas lembro que também disseram isso na Tijuca em 2004. E eu consegui fazer um grande carnaval naquele ano, mesmo sem expectativa de título. Jogo é jogo e as escolas recebem, em tese, os mesmos recursos. Vou lutar com as mesmas armas das coirmãs — avisa Paulo, que soma passagens bem-sucedidas por Viradouro (vice-campeã em 2019) e Portela (campeã em 2017), entre outros capítulos importantes de sua trajetória profissional.

Barros tem, inclusive, um desfile criado para a própria Tuiuti: em 2003, ele criou uma homenagem a Cândido Portinari, quando a agremiação ainda desfilava no Acesso.

Deixando para trás um 2020 de resultado morno na Unidos da Tijuca (a escola ficou em 10º lugar cantando a arquitetura) e na Gaviões (11ª colocação para um enredo sobre o amor), Paulo Barros não foge de ponderações sobre a temporada. Pelo contrário: é taxativo ao dizer que a avaliação no Rio, seu campo de jogo mais fiel, não define a qualidade de seu trabalho.

— O Carnaval de 2020 na Unidos da Tijuca foi baseado no que a escola podia fazer. As pessoas não têm conhecimento do que realmente acontece nos bastidores de desfile. Se ele não pontuou e não foi bem, a responsabilidade não é só minha,. A escola deixou de atender algumas coisas também. Em contrapartida, nada disso me abala, porque o Carnaval é bastante descartável. Há um ano fui vice-campeão com uma escola que tinha subido do Acesso (a Viradouro, campeã deste ano). Essa história foi apagada só porque não fiquei bem colocado este ano? Muito pelo contrário. Me sinto cada vez melhor e mais disposto — afirma Barros.