Paulo Câmara: 'Não vamos admitir politização das polícias’, diz em entrevista

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RIO — Em entrevista ao GLOBO, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), afirmou que vê com "preocupação" os incentivos para que policiais militares e membros de forças de segurança participem de atos em apoio ao presidente Jair Bolsonaro no Dia da Independência, e que os Executivos estaduais vão agir para identificar e punir eventuais "excessos". Câmara também avaliou o encontro recente com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Recife, no último dia 15, como a "retomada de um diálogo importante para o futuro" entre PT e PSB, que ainda se divide em Pernambuco sobre a definição de seu palanque presidencial.

Leia a entrevista:

Os governadores do Nordeste assinaram carta afirmando que as polícias não participarão de rupturas democráticas. O senhor vê risco de uma tentativa nesse sentido no 7 de setembro?

Obviamente toda essa mobilização causa preocupação. A corporação policial é muito grande, você não tem 100% de controle sobre todo mundo, mas eu tenho confiança na PM de Pernambuco. Quando tivemos fatos como naquele protesto do "Fora Bolsonaro" de 29 de maio, com reação policial e balas de borracha, tomamos as providências e afastamos quem cometeu excessos. Infelizmente, o próprio comandante da PM teve que ser afastado, o secretário estadual de Defesa Social, também. Mas depois houve diversas manifestações, todas dentro da normalidade.

Em São Paulo, um comandante da ativa da PM foi afastado após convocar colegas para atos a favor do presidente Jair Bolsonaro, que tem estimulado demonstrações de apoio de militares e das forças de segurança. Os governadores deveriam adotar alguma reação mais ampla desde já?

Essas ameaças do presidente, a coisa de "esticar a corda" com as instituições, isso nos preocupa. Mas reafirmo que não vamos admitir politização das polícias. Queremos uma polícia forte contra o crime, mas que respeite os direitos humanos e a Constituição, e não vamos admitir que extrapole essas prerrogativas. Essa conversa foi colocada na reunião do fórum nacional de governadores na segunda-feira. Não podemos entrar nessa onda de intolerância e agressões que vemos muitas vezes por parte do presidente da República. Temos que ser duros se houver exagero, mas respeitar quem pensa diferente, dentro dos limites democráticos. Se tudo correr dentro dos limites, temos que respeitar esse tipo de manifestação.

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