Paulo Gorgulho, que já foi José Lucas e José Leôncio em 'Pantanal', lembra vida na roça: 'Adoro cheiro do suor do cavalo'

José Lucas de Nada (Irandhir Santos), o filho perdido de José Leôncio, chegou em 'Pantanal' tem aproximadamente um mês e mexeu com a trama. O peão flerta com Irma (Camila Morgado) e Juma (Alanis Guillen), além de causar ciúmes em Tadeu (José Loreto). A interação entre o personagem e a menina-onça não tem agradado em nada os espectadores, que tem feito comentários negativos no Twitter. Na versão de 1990, no entanto, o personagem não estava previsto para existir e foi criado para satisfazer uma vontade do público: a volta de Paulo Gorgulho, que havia interpretado José Leôncio na primeira fase, à novela.

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— Naquela época não tinha celular, internet, nada disso. Me lembro que me chamaram na sede da extinta TV Manchete e o Jayme (Monjardim, diretor da primeira versão da novela) falou: "senta aí que eu vou te mostrar o que está acontecendo". Aí ele ligou para a telefonista e pediu para ela passar as ligações que fossem pedindo minha volta. Era uma loucura, não parava de tocar. Fiquei muito emocionado que me quisessem de volta. Então eu, o Jayme e o Benedito (Ruy Barbosa) conversávamos e ele dizia "tem que trazer você de novo, as pessoas estão reclamando muito". Até que um dia o Benedito teve a ideia de me fazer voltar como filho bastardo do Zê Leôncio — conta Paulo.

Na história atual, adaptada por Bruno Luperi, Irandhir Santos também ficou responsável por dois personagens. Na primeira fase, foi Joventino, pai de Zé Leôncio, e agora é o neto de seu primeiro papel. Além dessa pequena mudança, Luperi adicionou um personagem no primeiro capítulo para homenagear Paulo Gorgulho. O peão Ceci, um homem mais velho que entrega seu berrante e seu legado para Joventino. Paulo conta que, tanto Bruno quanto o diretor Rogério Gomes, o deixaram muito a vontade para criar. Até o figurino entrou em cena; o ator levou pra casa como lembrança o chapéu, a faixa e a calça de Zé Leôncio e usou a roupa para interpretar Ceci.

— Guardei por emoção, foi um ano que mudou minha vida. Em 1990, nasceu minha primeira filha também. Foi um ano muito profícuo, muito generoso. Guardei, mas não esperava usar de novo e acabei usando — diverte-se Paulo.

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Paulo define com uma "honra" ter sido homenageado no remake da novela que marcou e mudou sua carreira. Para gravar as cenas com Irandhir, o ator voltou ao Pantanal depois de 25 anos. Antes já tinha visitado para mostrar aos filhos o local:

— Constatei que o Pantanal nunca tinha saído de mim. Voltei para lá 25 anos depois e era como se tivesse ido semana passada. Reconheci os lugares, o clima, o tempo das pessoas, os cheiros, os barulhos...foi bem bacana. Mas foi uma emoção mais no sentido de privilégio do que de saudade ou melancolia. "Pantanal" ficou e ficará comigo para sempre, então eu não tive sentimento de saudade porque eu nunca perdi o Pantanal de dentro de mim.

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Desde que soube da possibilidade de entrar para o elenco de "Pantanal", Paulo conta que se identificou com Zé Leôncio e achava que aquele era o personagem perfeito para ele. Mineiro, nasceu em São Lourenço, diz que vivia uma "vida de roça". Na infância, tirava leite, andava a cavalo em pelo, caminhava pelo pasto, pegava lenha, então passar um tempo no Pantanal de 1990 não foi um baque para ele.

— Eu lembro de falar para o Jayme: "eu adoro o cheiro do suor do cavalo, da bosta da vaca. Esse personagem é meu e você não vai encontrar ninguém mais pra fazer". E ele me deu (risos) — recorda Paulo.

Envolto em novos projetos, o ator de 63 anos tem acompanhado a novela como espectador. Quando Irandhir surgiu como José Lucas, Paulo chegou a publicar em seu perfil nas redes sociais que estaria emocionado. "Obrigado por ser tão maravilhoso, Irandhir", escreveu.

— A gente imediatamente criou afeto um pelo outro. Ele tentando entender o que significava para mim estar ali e eu tentando entender o que significava para ele representar Joventino. Rapidamente entendemos que os dois se sentiam muito honrados. Nos unimos, nos demos muito bem, ficamos juntos intensamente para construir essa relação dos personagens. Foi um encontro mesmo. Viramos amigos e vê-lo fazendo Zé Lucas de Nada foi uma emoção já precedente, já vinha do fato de estar sendo revivido por um artista do porte do Irandhir Santos — avalia Paulo Gorgulho.

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Em breve, o público poderá ver Paulo na série da Netflix "Todo dia a mesma noite", baseado na história real do trágico incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, em 2013. Além dessa produção, o ator estará no filme "Sequestro", que fala do sequestro sofrido pelo apresentador Sílvio Santos em 2001.

— Tem vários projetos, vários convites. Estou muito bem — conclui.

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