Paulo Guedes e o câmbio: as empregadas não irão à Disney, mas o BC vai ao mercado

Renato Andrade

Todas as vezes que um integrante da equipe econômica resolve tecer comentários sobre o valor de um determinado ativo, o mercado testa, no dia seguinte, até onde vai a convicção do governo. Quando o comentário vem do chefe da equipe, esses testes tendem a ser mais fortes.

Isso é uma tradição. O ministro da Economia, Paulo Guedes, sabe disso e deveria ter pensado sobre esse efeito colateral ontem, antes de apresentar sua análise sobre o “preço” do dólar.

Ao dizer que o câmbio estava barato, que agora “não tem negócio de câmbio a R$ 1,80, todo mundo indo para a Disneylândia, empregada doméstica indo para a Disneylândia", e que o dólar mais alto é “bom para todo mundo”, Guedes atiçou a turma que ganha dinheiro comprando e vendendo moeda. O pensamento comum neste tipo de situação é simples: Se está barato, vamos ver até onde a cotação do dólar pode chegar.

Já nos primeiros minutos dos negócios desta quinta-feira, a moeda americana bateu novo recorde de alta e atingiu o valor de R$ 4,382.

A fala do ministro vai manter não só as empregadas, mas muita gente fora dos voos internacionais. E forçará o Banco Central a entrar no mercado para controlar os excessos. A primeira intervenção foi comunicada ao mercado minutos após o dólar atingir sua nova cotação recorde.