Luz nas estrelas e 'big bang day': seria Paulo Guedes nosso Mestre dos Magos?

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Vingador e Mestre dos Magos, personagens e (supostos?) sócios no purgatório da Caverna do Dragão
Vingador e Mestre dos Magos, personagens e (supostos?) sócios no purgatório da Caverna do Dragão

“Como a luz das estrelas que vemos foram emitidas há milhões de anos atrás, o que você vê é um registro do passado com esse som que ouvimos agora”.

Se fechar bem os olhos, é possível imaginar Paulo Guedes vestido de Mestre dos Magos enquanto explica o rombo de 9,7% do Produto Interno Bruto do segundo trimestre.

Como o personagem que ensinava platitudes e dava dicas furadas para as crianças que tentavam sair do limbo na “Caverna do Dragão”, Guedes tem se notabilizado por promessas de futuro que até aqui não se confirmam.

Antes de Jair Bolsonaro ser eleito, o Posto Ipiranga do candidato prometia zerar o déficit público já no primeiro ano de mandato. O déficit primário foi de R$ 95,1 bilhões.

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Ele prometia também que a reforma da Previdência geraria R$ 1 trilhão, mesmo valor que ele prometia arrecadar com as privatizações e botando à venda os imóveis de propriedade da União.

Cada nova promessa era uma lufada de esperança aos investidores, que oscilam os humores na Bolsa conforme oscila a perspectiva de o ministro seguir no cargo.

Guedes prometia para ontem promover as reformas tributária e administrativa. O resultado, até aqui, é a debandada dos secretários escalados para missões como privatizações e desburocratização.

Mais recentemente, ele prometeu descolar com um amigo inglês milhões de testes para covid-19 que até agora ninguém sabe, ninguém viu.

Na reunião do dia 22 de abril, seus planos de saída para a crise econômica que se desenhava com a pandemia era abrir cassinos, deixar o milionário “se foder”, vender a “porra” do Banco do Brasil e botar adolescente para cantar o hino de dia e construir estrada à tarde em troca de R$ 200.

Pouco antes, quando o resultado do PIB de 2019 foi anunciado (crescimento de 1,1%), Bolsonaro levou um comediante para repercutir a notícia com os jornalistas, enquanto Guedes dizia em outra sala que a economia brasileira estava “claramente reacelerando”. Não estava. Entre janeiro e março, a queda na economia, já sob efeito da pandemia que todos ignoraram na reunião de 22 de abril, foi de 2,5%, conforme revisão do IBGE divulgada agora.

No semestre, o tombo já é de 5,9% em relação a igual período de 2019, que já era baixo, e levou a atividade econômica do país voltar ao mesmo nível de 2009, um outro mundo onde as pessoas se comunicavam ainda SMS.

Desta vez, Guedes promete que os dados mais recentes da economia apontam para uma retomada em forma de "V". Daqui em diante, passado o ruído da pandemia em abril, é para o alto e avante.

Da mesma forma como tenta jogar os mortos na pandemia que ajudou a agravar no colo de governadores, Bolsonaro provavelmente vai dizer que a queda no PIB ocorreu por causa do isolamento “desnecessário” e não foi por falta de aviso. É um exercício retórico e tanto para quem não conseguiu evitar o morticínio nem de CPFs nem de CNJPs, e que agora se apoia em um auxílio emergencial costurado pelo Congresso para salvar a popularidade.

Seu Posto Ipiranga, Paulo Guedes, segue apontando para as estrelas quando cobrado por resultados concretos de seus planos na terra onde pisa. Até pouco tempo, chamava de “Big Bang Day” o anúncio de medidas econômicas que precisaram ser canceladas pelo presidente para não sair mal na foto.

Como o mestre do desenho animado, o personagem que prometia domar a fera parece ter sido domado por ela e já provoca teorias sobre quem obedece a quem. Os que ainda levam a cabo seus ensinamentos sobre luzes e a origem do universo seguem rodando em falso no purgatório.

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