Paulo Quilombola e a esposa são acusados golpe usando nome de Bolsonaro

Paulo Quilombola teria usado nome do presidente para aplicar o golpe. (Foto: Reprodução)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • O casal arrecadou dinheiro e prometeu construir casas populares no interior de MG

  • A esposa diz sofrer perseguição política da ministra Damares Alves

O presidente da Federação das Comunidades Quilombolas e Populações Tradicionais do Pará, Paulo Oliveira, é acusado de coletar dinheiro em uma cidade no interior de Minas Gerais prometendo construir casas populares com verba do governo. Durante campanha eleitoral de 2018, ele foi apresentado como prova de que o presidente Jair Bolsonaro não era racista.

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Para aplicar o golpe, ele e a esposa teriam citado nomes importantes do Executivo, como o de Bolsonaro e o da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves. A ministra foi quem acionou a Polícia Federal para investigar os dois. As informações são do jornal O Globo.

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No ano passado, após ser denunciado por racismo por se referir a uma comunidade quilombola com a frase “o afrodescendente mais leve lá tinha sete arrobas”, Bolsonaro passou a apresentar Paulo como seu amigo para provar que não é preconceituoso. O caso foi arquivado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em setembro.

Agora, um ano depois, Paulo Quilombola e sua mulher, Leocionara Silva dos Santos, identificada como Narha Oliveira Munduruku, são acusados de aplicar um golpe em nome do governo. De acordo com relatos feitos ao jornal O Globo, eles apresentavam fotos e vídeos ao lado de membros do governo para convencer comunidades quilombolas de que tinham permissão para implementar um projeto de moradias sustentáveis chamado por eles de “eco-casas” em Conceição do Mato Dentro, Minas Gerais.

Cada família deveria pagar R$ 180 para garantir uma eco-casa na comunidade. Um recibo obtido pela reportagem do Globo, com data de 19 de junho deste ano, explica que os valores seriam para “registro (taxas) cartório”. De cerca de 140 famílias, 81 fizeram o pagamento. No documento, Narha declara que recebeu um pagamento de R$ 10.940 e outro de R$ 2.520.

“Ela falou que trabalhava com Damares, que almoçava com ela com frequência. Narha contava ainda que após o contato com a comunidade ia ao gabinete do presidente Bolsonaro, que queria saber como estavam as comunidades. Pelas fotos e vídeos que mostrou, todos acreditamos”, afirma o vereador Sidnei Seabra Silva (PCdoB), que exigiu o dinheiro das famílias de volta e acionou o Ministério Público após descobrir que eles não representavam o governo.

Paulo ao lado de Bolsonaro ainda em 2018, no período de campanha. (Foto: Reprodução/Youtube)

Quando o casal não devolveu o valor, o vereador relatou o fato à ministra Damares Alves, que acionou a Polícia Federal. De acordo com o Palácio do Planalto o presidente nunca recebeu o casal, embora Bolsonaro mantenha relação de amizade com eles. A assessoria afirmou que “o Planalto não irá comentar” a pergunta sobre se o presidente deu procuração ao casal para falar em nome dele.

Ao Globo, Nahra afirma que sofre perseguição política de Damares, e ataca o vereador por ser do PCdoB. Ela diz, ainda, que nunca prometeu a construção das casas populares, e que o recibo analisado pela reportagem é falsificado.