Pauta de campanha, Segurança Pública ainda é principal urgência do Rio de Janeiro

Rio de Janeiro: Governador Cláudio Castro (PL) segue sendo alvo de críticas por violar direitos humanos e pautar periferias e favelas com violência policial. REUTERS/Ricardo Moraes
Rio de Janeiro: Governador Cláudio Castro (PL) segue sendo alvo de críticas por violar direitos humanos e pautar periferias e favelas com violência policial. REUTERS/Ricardo Moraes

Por que você tem que ler essa matéria: Segundo a pesquisa Ipec - antigo Ibope - do último dia 30 sobre a disputa pelo governo do Rio de Janeiro, o atual governador, Cláudio Castro (PL), aparece com 26% das intenções de voto; já o deputado federal Marcelo Freixo (PSB) tem 19%. Em sabatinas e entrevistas, um dos temas levantados pelos candidatos é a segurança pública, carro chefe na campanha de Castro e pauta recorrente em disputas de Freixo no Rio.

8 links para você entender a segurança pública no Rio de Janeiro

Após somar, em pouco mais de 1 ano, três chacinas no estado do Rio, o governador Cláudio Castro (PL) segue sendo alvo de críticas por violar direitos humanos e pautar periferias e favelas com violência policial.

"Não temos mais uma secretaria estadual de segurança pública para coordenar as ações de maneira inteligente, o estado abriu mão disso para ter uma política de segurança baseada em operações resultando em grandes chacinas, uma lógica de confronto patrocinado pelo estado", explica Henrique Silveira, coordenador executivo da Casa Fluminense.

"O foco é reduzir o número de homicídios. Essa deveria ser a meta fundamental da segurança pública. Antes, a letalidade policial era uma meta, e hoje há um estímulo ao confronto", endossa o coordenador da Casa. Para ele, uma das estratégias é considerar objetivos a partir também da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 635, que impôs novas restrições à política de segurança pública do Estado. A mesma impede operações nas favelas do Rio desde 2020.

Cidade Integrada pode ser ampliado, mas preocupa moradores

O tema também é a maior preocupação citada por Bruno Souza, cofundador do LabJaca, laboratório de dados sobre favelas e periferias localizado no Jacarezinho, Zona Norte do Rio. A favela foi alvo de uma das chacinas protagonizadas pela gestão de Castro, resultando em 29 mortes.

Bruno cita o programa Cidade Integrada, política de segurança inaugurada por Castro e chamada por especialistas de UPP 2.0, como exemplo. "Percebemos o abuso policial e como são tratados os moradores. Vimos que o Castro está bem colocado nas pesquisas [eleitorais], justo o chamado 'governador das chacinas'. É uma das poucas plataformas de campanha dele para tentar a reeleição, e se utiliza ainda de uma estrutura bolsonarista com cenário de violência e medo para se eleger", destaca o ativista.

Segundo dados do Observatório Cidade Integrada, promovido pelo LabJaca, "as constantes violações de direitos desde que o programa Cidade Integrada foi iniciado faz com que mais de 60% dos entrevistados pelo Observatório afirme que gostariam que o programa acabasse. A insegurança também passou a ser uma realidade para 69% moradores que participaram da pesquisa.

O Cidade Integrada foi anunciado publicamente no dia 22 de janeiro de 2022, quando o governador informou à imprensa que o bairro do Jacarezinho e a favela da Muzema seriam contemplados com o programa. Porém, a política foi um pouco diferente: no dia 19 de janeiro, após amanhecerem com a favela ocupada por policiais, fuzis e cães, moradores entraram em clima de incerteza e medo: era um novo 'programa' de segurança invadindo a localidade de surpresa. A ampliação do programa é uma das propostas de Castro mirando na reeleição.

Por outro lado, Bruno compara as propostas também do adversário de Castro. Para ele, Freixo, candidato da oposição, tem dialogado com pautas menos progressivas. "[Freixo] têm tido posicionamentos considerados um pouco contraditórios por quem defende direitos humanos, até conservadores, como se tornar um defensor das polícias no estado do Rio, além de declarações contra a liberação das drogas. Então, quando avaliamos esses possíveis governos, o cenário é um pouco desanimador", finaliza o ativista.