Pazuello acusa Doria de usar vacina para marketing pessoal e garante vacinas nos estados na segunda

Redação Notícias
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O Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, falou em tom de irritação em coletiva após a aprovação pela Anvisa das vacinas de Oxford e CoronaVac. Ele citou que vacinações que acontecerem fora do cronograma do ministério serão consideradas fora da lei.

“Podíamos em jogada de marketing inaugurar a imunização com alguém. Mas não faremos jogada de marketing em respeito aos brasileiros. O Plano deverá ser executado pelo Ministério da Saúde e já foi apresentado ao Supremo e lançado de maneira solene no Palácio do Planalto", afirmou Pazuello em seu discurso.

Logo depois, Pazuello falou sobre a distribuição das vacinas por parte do ministério.

Amanhã 7 da manhã começaremos a distribuir a vacina para todos os estados com ajuda de deslocamento aéreo. A distribuição será de forma igualitária e simultânea, sem deixar nenhum brasileiro para trás. É isso que o governo federal procura e está pactuado com todos os governadores.

O que é a CoronaVac?

A CoronaVac é uma vacina contra a Covid-19 que funciona a partir da utilização de vírus expostos a uma técnica que os coloca em exposição ao calor e produtos químicos para que eles não sejam capazes de evoluir. Não existe presença do vírus Sars-Cov-2 vivo na solução e, por isso, os riscos desse tipo de imunizante são menores.

Qual foi a eficácia da CoronaVac? O que isso significa?

A CoronaVac atingiu uma eficácia global de 50,38%.

Este dado não havia sido revelado até então. Na prática, ele significa que quem for imunizado tem 50,38% de chance de não ser infectado pela Covid-19.

O índice mínimo recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para aprovação é 50%.

A taxa de eficácia representa a proporção de redução de casos entre o grupo vacinado comparado com o grupo não vacinado.

Para o Butantan obter esse dado, foi preciso analisar o número de casos entre os voluntários que receberam a CoronaVac e comparar com o número de infectados no grupo que recebeu um placebo — uma substância salina sem efeito no organismo.

Foram 9.242 voluntários ao todo: 4.653 receberam a CoronaVac, e outros 4.599 receberam o placebo.

Durante os testes, o grupo da vacina apresentou 85 infecções por Covid-19, correspondendo a 1,8% (85 infectados / 4.653 voluntários).

Enquanto isso, o grupo da substância salina manifestou 167 casos positivos, equivalendo a 3,6% (167 casos / 4.599 voluntários).

Portanto, ao confrontar os percentuais, chega-se ao patamar de 50,38%.

CoronaVac: quantas doses serão produzidas para o Brasil?

Não se tem um número preciso de quantas doses da CoronaVac estarão disponíveis para o Brasil. Em setembro de 2020, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que receberia 46 milhões de doses após pagamento de US$ 90 milhões.

O número não é preciso, no entanto, porque não se sabe se o acordo citado pelo governador paulista envolve ou não os R$ 85 milhões que o governo de São Paulo afirmou, em junho de 2020, ter pago ao laboratório.

Os dois acordos não foram divulgados na íntegra para a imprensa e o grande público.

O que é a vacina de Oxford?

A vacina de Oxford é um imunizante contra a Covid-19 produzido pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca que funciona com uma tecnologia conhecida como vetor viral recombinante. Isso quer dizer que sua produção acontece a partir da versão enfraquecida de um adenovírus que causa resfriado em chimpanzés, mas não tem efeito em seres humanos.

Do imunizante que é criado, os produtores da vacina de Oxford adicionaram material genético usado na proteína conhecida como “spike” do Sars-Cov-2. É essa que ele usa para invadir as células, o que induz os anticorpos.

Vacina de Oxford: quantas doses serão produzidas para o Brasil?

Em entrevista coletiva no dia 7 de janeiro, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que prevê mais de 250 milhões de doses da vacina de Oxford para o Brasil.

Segundo as contas do ministro, serão produzidas 100,4 milhões de doses pela Fiocruz até julho, com a produção da função chegando a mais 110 milhões de doses entre agosto e dezembro.

Para fechar os números, o ministro ainda fala de 42,4 milhões de doses recebidas por meio do consórcio Covax Facility, da Organização Mundial da Saúde (OMS).