Pazuello afirma que tomará vacina e nega segunda onda dizendo que país não saiu do "primeiro impacto"

Maurício Ferro
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Pablo Jacob/Agência O Globo

BRASÍLIA — O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou nesta sexta-feira que vai tomar a vacina contra a Covid-19. Ele negou que país esteja na "segunda onda" da doença porque não teria ainda saído do "primeiro impacto". As declarações foram dadas em entrevista ao SBT.

— Sim, (vou tomar a vacina) quando chegar ao meu momento, do meu grupo — disse.

Perguntado se usaria um imunizante de qualquer marca, Pazuello respondeu:

— Acho que sim, desde que (a vacina seja) registrada pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária], garantia a eficácia.

O general declarou que as pessoas têm o direito de comparar as vacinas e optar por aquela que acham melhor, assim como fazem os médicos ao prescrever remédios.

— Da mesma forma, como cada médico prescreve um medicamento para aquele paciente, acho que as pessoas também podem observar as diferentes marcas e diferentes tecnologias que estão ali, para aquilo que seja menos impactante, que tenha menos efeitos colaterais para essa e aquela pessoa. A observação faz parte — afirmou.

O ministro ainda declarou que “a vacina é peça fundamental para o controle da contaminação e é por isso que a gente trabalha nela, nessa direção, o tempo todo”. Ele tem 57 anos, não faz parte de grupo de risco e já teve Covid-19.

A intenção de Pazuello de tomar a vacina contrasta com a posição do presidente Jair Bolsonaro, que declarou na última quinta-feira que não usaria nenhum imunizante porque já teve a Covid-19. Bolsonaro afirmou que já tem anticorpos.

No entanto, o Brasil já confirmou casos de reinfecção pela Covid-19. Além disso, outros líderes mundiais – como o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama– declararam que vão tomar a vacina como forma de dar o exemplo para a população.

'Não concluímos o primeiro impacto'

Em outro trecho da entrevista, Pazuello nega que o país esteja na "segunda onda" porque o "primeiro impacto" ainda não teria acabado. Ele ressaltou, no entanto, que o número de mortes não acompanha a alta de casos, embora o país tenha voltado a registrar mais de mil mortes em 24 horas.

— Temos que lembrar que quando você conclui uma onda, um impacto, você pode ter uma nova onda. Nós não concluímos o primeiro impacto. Nós temos uma redução e uma oscilação no mesmo impacto. O nome correto para isso é uma nova oscilação do que nós estamos vivendo. Sim, uma oscilação grave, subindo bastante o número de contaminação. Mas tem um lado que precisa ser observado: a curva de óbitos não segue a mesma amplitude da curva de contaminação — disse na entrevista.

Pazuello atribuiu o fato citado sobre a curva de óbitos, que na avaliação dele não subiu na mesma intensidade de casos, ao "trabalho dos nossos profissionais de saúde" e as "estruturas que foram desdobradas".

Ele afirmou ainda que o relaxamento do afastamento social, que não se confunde com isolamento, também contribuiu para a nova alta de casos. Segundo o ministro, as pessoas se cansaram das regras de distanciamento no momento em que os números da Covid-19 arrefeceram.

Afastamento e máscara

O ministro, que teve divulgada uma foto sua em festa na casa do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e o cantor Zezé Di Camargo, em ambiente com muitas pessoas e sem máscara, fez uma espécie de mea-culpa em relação ao episódio. Ele disse que foi ao local para convidar o artista para estrelar a campanha de vacinação do governo, que ainda estaria analisando a possibilidade com os empresários.

— Quando acabou isso aí, fomos tirar uma fotografia. Eu e ele. E daí as pessoas chegaram em volta. Então às vezes você acaba não conseguindo fazer o que prescreve os afastamentos e os cuidados. Acontece. Não é o correto. Fica aqui claro: o correto é manter o afastamento, estarem todos de máscara (...) E a acabou ali o evento, eu estava levantando para ir embora — disse o ministro.

Pazuello comentou também as declarações do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que afirmou recentemente que o ministro era um "desastre" durante café da manhã com jornalistas.

— Eu não conheço o presidente da Câmara e fica claro aí que ele não me conhece também. Como é que vou fazer comentários sobre ele e ele sobre mim se nós não nos conhecemos, se nós não conhecemos nossos modos de pensar? O presidente nunca esteve aqui, nunca veio tratar nada de saúde. Durante toda essa pandemia, esse senhor nunca apareceu aqui para tratar nada. Eu não o conheço — afirmou Pazuello.