Pazuello defende militares na Saúde: 'São pessoas preparadas para lidar com esse tipo de crise'

Renata Mariz
BRASILIA, BRAZIL - APRIL 27: Brazilian Executive Secretary of the Ministry Health Eduardo Pazuello reacts during a press conference to give updates on the coronavirus (COVID-19) pandemic at the Planalto Palace on April, 27, 2020 in Brasilia. Brazil has over 66,000 confirmed positive cases of Coronavirus and 4543 deaths. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)

BRASÍLIA — O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, que é general da ativa, defendeu nesta quinta-feira a presença de militares na pasta, disse que eles são preparados para lidar com crises como a da Covid-19 e destacou que ficarão por "só 90 dias". Pazuello, que assumiu no lugar do oncologista Nelson Teich, já nomeou ao menos 17 militares para postos importantes no Ministério da Saúde.

As nomeações, em meio à pandemia do novo coronavírus, são vistas como uma forma de o presidente Jair Bolsonaro fazer valer suas opiniões sobre como conduzir a crise. A orientação oficial para uso ampliado de cloroquina, publicada ontem pelo ministério, após os titulares anteriores, Teich e Luiz Henrique Mandetta, resistirem à medida, causou mal-estar.

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Sem ser provocado, Pazuello quis dar uma explicação ao fim da reunião tripartite do Sistema Único de Saúde (SUS), que reúne representantes da União, estados e municípios. Ele adiantou que os militares serão substituídos no momento de normalidade:

— Para deixar claro isso a todos: temos o apoio do Ministério da Defesa, é um apoio temporário, em princípio serão só 90 dias. São militares da ativa também, que vêm trabalhar para ombrear conosco nesse momento. São pessoas preparadas para lidar com esse tipo de crise — disse, acrescentando:

— Neste momento, precisamos desse tipo de preparo para somar às especialidades médicas, farmacêuticas, de enfermagem, da área da saúde. Para que as duas áreas juntas possam efetivamente dar uma resposta organizada, célere e adequada a cada lugar. É temporário e vou ter que substitui-los ao longo dos 90 dias por pessoas que vão sendo escolhidas e apresentadas, e a gente vai selecionando e colocando já no momento de mais normalidade.

Pazuello também se solidarizou com as famílias que perderam pessoas vítimas da Covid-19 e fez um agradecimento aos profissionais de saúde, usando termos do universo militar:

— Agradeço a todos os profissionais de saúde que estão combatendo nessa guerra. Uso batalha, uso guerra. Mas é uma guerra com batalhas diárias. Sei que todos vocês, independente de idade, sexo, estão à frente do combate. E a gente está com muito orgulho de vocês.

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As mudanças constantes na pasta confundiram até a mestre de cerimônias da reunião. Na hora de anunciar as considerações finais, ela falou que teria a palavra "o ministro de Estado da Saúde interino substituto Eduardo Pazuello". Ao que o general do Exército respondeu que era interino:

— Substituto foi na primeira etapa. Se não foi publicado, vai ser — afirmou Pazuello, referindo-se à nomeação formal como interino.

Bolsonaro, que demitiu Mandetta e depois levou Teich a pedir exoneração, já elogiou publicamente o general e afirmou que ele vai "ficar por muito tempo" no Ministério da Saúde. O novo ministro fechou a reunião prometendo que manterá uma agenda diária de reunião informal com secretários de Saúde para alinhar as ações da pasta.

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