Pazuello diverge de outros depoentes sobre vacinas da Pfizer, cloroquina e filhos de Bolsonaro

·3 minuto de leitura

No depoimento à CPI da Covid, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello deu versões diferentes às relatadas por outros depoentes sobre algumas ações do governo federal no enfrentamento à pandemia. Diferentemente de Carlos Murillo, executivo da Pfizer, e do ex-secretário de Comunicação Social do governo federal Fábio Wajngarten, Pazuello disse que houve resposta sim às ofertas de vacina feitas no ano passado pela empresa farmacêutica. Também divergiu de seus antecessores no cargo — Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich — sobre questões com a influência dos filhos do presidente Jair Bolsonaro e o uso de cloroquina.

Em depoimento na semana passada, Murillo disse que o governo não rejeitou nem aceitou a oferta da Pfizer. Wajngarten relatou uma carta enviada pelo presidente mundial da empresa, Albert Bourla, a alguns integrante do governo brasileiro que ficou sem reposta.

Nesta quarta-feira, perguntado pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), por que não respondeu as propostas da Pfizer no ano passado, Pazuello afirmou primeiramente que as condições oferecidas eram piores do que as de outras empresas. Depois, diante da insistência de Calheiros, Pazuello disse que respondeu sim a Pfizer.

— Respondemos inúmeras vezes. De agosto a dezembro. Eu tenho todas a comunicações da Pfizer.

— O presidente da Pfizer disse que não houve resposta. Ele mentiu? — questionou Calheiros.

Pazuello afirmou que a resposta era a negociação direta com a Pfizer e disse que vai enviar toda a documentação com as respostas para a CPI.

— Foram respondidas em negociação intensa e direta.

Calheiros insistiu novamente e Pazuello disse:

— Não houve decisão de não responder a Pfizer. Pela quinta vez.

Ainda segundo o ex-ministro, Bolsonaro foi informado por ele durante todo o processo das tratativas com a Pfizer, de julho do ano passado até março deste ano.

Há duas semanas, o ex-ministro Mandetta citou o papel dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, em especial do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), que participava das reuniões no Planalto com ministros. Na versão de Mandetta, Carlos e seus irmãos, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), dificultaram a relação com a China, país fornecedor de material de saúde. Nesta quarta-feira, Pazuello também negou influência dos filhos de Bolsonaro e até lamentou não ter falado mais com eles.

— Não havia influência dos filhos políticos dos presidentes. E eu achava que ia me encontrar mais com eles — disse o ex-ministro.

Quando depôs, há duas semanas, o também ex-ministro Nelson Teich disse que deixou o cargo cerca de um mês depois de ter entrado no governo porque percebeu que não teria a autonomia e a liderança de que precisava. De acordo com ele, isso ficou mais evidente em relação às "divergências com o governo quanto à eficácia e extensão do uso do medicamento cloroquina para o tratamento da Covid-19". O remédio, apesar de não ter eficácia comprovada para tratar a doença, foi a aposta de Bolsonaro no enfrentamento à pandemia.

Nesta quarta-feira, indagado por Calheiros se sua nomeação para ministro, em substituição a Teich, se deu sob a condição de cumprimento de alguma ordem, como por exemplo a recomendação do uso de cloroquina ou outro remédio para tratamento precoce da Covid-19, Pazuello negou:

— Em hipótese alguma O presidente nunca me deu ordens diretas para nada.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos