Pazuello diz que transferência de 1.500 pacientes é única solução para evitar mortes no AM

Redação Notícias
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Brazilian Health Minister Eduardo Pazuello attends a ceremony to present Brazil's National Vaccination Plan Against COVID-19 at Planalto presidential palace in Brasilia, Brazil, Wednesday, Dec. 16, 2020. (AP Photo/Eraldo Peres)
A declaração foi feita em um evento de recepção de 108 novos médicos, do Programa Mais Médicos, contratos pelo ministério para atuarem na saúde básica em Manaus em meio ao colapso do sistema de saúde público (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou nesta sexta-feira (29) que a única solução para evitar mortes no Amazonas — que já tem a média de óbitos com o dobro do pico da pandemia — é a transferência de 1.500 pacientes das unidades de saúde amazonenses para hospitais de outros estados.

“Se não removermos 1.500 pessoas do atendimento especializado, vai continuar morrendo de 80 a 100 pessoas por dia porque não há UTIs e não se cria uma UTI do dia para noite. Aumentar leitos, trazer oxigênio, criar UTIs. Quantas? 20, 30? Eu tenho que remover 1.500 pacientes. Não vou montar 1.500 leitos de UTI nunca em Manaus”, justificou o ministro.

A declaração foi feita em um evento de recepção de 108 novos médicos, do Programa Mais Médicos, contratos pelo ministério para atuarem na saúde básica em Manaus em meio ao colapso do sistema de saúde público.

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A ideia do ministério é aliviar o atendimento especializado na região para que não haja sobrecarga do sistema de saúde do Estado. Segundo Pazuello, dos cerca de 350 pacientes transferidos para outras regiões do Brasil nas últimas semanas, 80 já estão curados.

O ministro ainda reafirmou o compromisso com a continuidade da política de transferência dos pacientes. As transferências foram iniciadas após os hospitais de Manaus entrarem em colapso por falta de oxigênio.

Embora o Ministério da Saúde esteja “trabalhando para estabilizar o [fornecimento] de oxigênio”, segundo Pazuello, a capacidade de atendimento da rede especializada de saúde continuará limitada.

Por esse motivo, nas palavras do ministro, a transferência de pacientes para outros estados é a forma mais rápida de normalizar o fornecimento reduzindo a demanda por oxigênio e leitos.

Colapso avança no interior

O governo do Amazonas teme um novo colapso no sistema de saúde e mortes por falta de oxigênio, desta vez nos municípios do interior do estado.

O secretário de Saúde do estado, Marcellus Campêlo, revelou o crescimento diário do consumo de oxigênio no interior, em reunião virtual na manhã de quinta-feira (28), na Câmara dos Deputados.

“Temos uma estimativa de que vamos precisar de mais oxigênio, porque no interior do Amazonas está crescendo a pandemia e o vírus está se espalhando de novo para o interior do Amazonas”, afirmou Campêlo. “Há uma preocupação grande porque a logística de oxigênio para o interior é mais complicada”, completou.

O aumento no número de casos de Covid-19 no Amazonas causou um colapso nas redes pública e privada de saúde de Manaus, único município do estado que tem leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo). As internações e os enterros bateram recordes, e os pacientes precisaram ser transferidos para outros estados.

No momento, a falta de oxigênio foi resolvida com a chega de cilindros emergenciais ao estado.

Ministro investigado

A Polícia Federal abriu nesta sexta-feira (29), por determinação do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), inquérito para investigar a conduta do ministro da Saúde na crise sanitária do Amazonas.

O relator da ação, ministro Ricardo Lewandowski, avaliou que Pazuello terá a prerrogativa de marcar dia, horário e local para ser ouvido pela Polícia Federal.

O ministro da Saúde é investigado por causa do colapso na saúde pública no Amazonas. A falta de oxigênio nos hospitais do estado causou a morte de pacientes e muitos precisaram ser transferidos para outros estados.