Pazuello lamenta saída “orquestrada” e diz que ministério era “alvo de políticos por dinheiro”

Redação Notícias
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Pazuello desabafou em sua despedida do Ministério da Saúde (AP Photo/Eraldo Peres)
Pazuello desabafou em sua despedida do Ministério da Saúde (AP Photo/Eraldo Peres)
  • Eduardo Pazuello fez discurso de despedida em que deixou claro o descontentamento com a substituição por Marcelo Queiroga

  • Ex-ministro garantiu ter sido alvo de pressões políticas por dinheiro

  • Pazuello afirmou, ainda, que sua saída já vinha sendo orquestrada e insinuou que Bolsonaro sabia disso

Agora ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello escancarou a insatisfação com a substituição por Marcelo Queiroga no comando da pasta em discurso de despedida realizado na última quarta-feira. Entre desabafos e acusações, afirmou que sua saída já vinha sendo orquestrada.

“Eu reuni toda minha equipe no dia 23 de fevereiro: fiz um quadrinho e mostrei todas as ações orquestradas contra o ministério. Eram oito! Falei que não tinha como nós chegarmos até o dia 20 de março”, lembrou.

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Pazuello não se intimidou com a presença do novo ministro Queiroga ao seu lado e garantiu que “o Marcelo já foi consultado no início de fevereiro, lá atrás”, dando a entender que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tinha conhecimento das conspirações contra seu trabalho.

Segundo o ex-ministro, o boicote começou depois que recusou-se a ceder às pressões de um grupo de médicos do Ministério. Como resultado, eles teriam criticado seu trabalho a Bolsonaro.

“Esse grupo tentou empurrar uma pseudo-nota técnica que nos colocaria em extrema vulnerabilidade, querendo que aquele medicamento, a partir dali, estivesse com critérios técnicos do ministério, e ele não tinha”, recordou.

Pazuello disse ter sido "vítima" dos atributos que adquiriu no exército e tentou levar para o governo, como “honestidade, probidade, responsabilidade e lealdade”. Sem qualquer acanhamento, revelou ter sido avisado por aliados de que ia “dar m...” e alertou Queiroga: “É assim que funciona”.

Pressão de políticos por dinheiro

O ex-ministro tomou cuidado para não citar nomes, mas deixou claro o descontentamento e a surpresa com as pressões sofridas ao longo dos seis meses à frente da saúde.

Novo ministro, Queiroga recebeu conselhos de Pazuello (AP Photo/Eraldo Peres)
Novo ministro, Queiroga recebeu conselhos de Pazuello (AP Photo/Eraldo Peres)

“O ministério é o foco, o alvo das pessoas políticas. Por quê? Por causa do dinheiro que é destinado aqui de forma discricionária”, comentou. “A operação de grana com fins políticos acontece aqui. Acabamos com 100%? Claro que não: 100% nem Jesus Cristo. Mas acabamos com muito.”

Como último conselho a seu substituto, Pazuello sugeriu ações que ele próprio falhou em realizar no combate à pandemia de Covid-19: “Atenda o SUS, atenda os estados e municípios. Não se renda a pressões políticas”.