Pazuello lembra derrotas da Alemanha em guerras e pede para não se abrir CPI como 'frente política'

NATÁLIA CANCIAN E RENATO MACHADO
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*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 07-01-2021 - O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 07-01-2021 - O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Ameaçado pela possibilidade de enfrentar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid-19, o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, lembrou as derrotas militares da Alemanha e pediu a senadores para não "abrirem uma frente política" da guerra contra o novo coronavírus.

Pazuello participa nesta quinta-feira (11) de uma sessão temática no plenário do Senado para explicar as ações e omissões no enfrentamento ao novo coronavírus e falar sobre atraso na vacinação.

Senadores protocolaram um pedido de CPI da Covid, que já conta com assinaturas suficientes para a sua abertura. A decisão final cabe ao presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que afirmou que preferia ouvir primeiro o ministro.

Pacheco afirma que o convite ao ministro havia sido feito antes que a CPI fosse protocolada, mas que seria agora "importante" ouvir suas explicações, antes de tomar uma decisão.

Sem mencionar especificamente o risco de uma CPI, Pazuello pediu aos senadores para não abrirem uma "nova frente" na guerra contra o coronavírus. E lembrou que a Alemanha nazista abriu uma nova frente de combates durante a 2ª Guerra Mundial e acabou derrotada no conflito.

"Queria fazer o meu alerta: a Alemanha perdeu a guerra duas vezes porque ela abriu a frente russa. Duas vezes: na 1ª Guerra Mundial e na 2ª Guerra. Todo mundo avisou ao ditador que não deveria abrir a frente russa. Duas frentes não tem como manter", afirmou o ministro.

"Temos uma guerra contra a Covid, a guerra é contra a Covid. Ela é técnica, de saúde. Ela não é política. Se abrir a segunda a frente, política e técnica, vai apertar. Nesse momento nós temos que focar no técnico. Se entrarmos com uma nova frente nessa guerra, que é a frente política, vamos ficar fixados", completou.

"Se nós fixarmos a tropa que está no combate, será mais difícil vencer a guerra. Então peço a todos os senadores que compreendam exatamente o que eu falei. Posições técnicas são discutidas abertamente, planejadas e executadas. É difícil separar política dentro do Congresso. O Congresso é político. Mas nós temos um inimigo em comum, que é o coronavírus, que é a Covid-19."

O ministro em seguida afirmou que a abertura de uma "frente política", novamente sem mencionar a CPI, vai significar em mais mortes em decorrência da pandemia.

"Se a gente abrir uma nova frente, a gente vai dificultar isso e, é óbvio, perder mais gente", completou.

Diferente das suas outras idas ao Congresso, o ministro enfrentou um ambiente mais hostil nesta quinta, no plenário da Casa. A cobrança foi generalizada, embora tenha sido mais forte por parte dos parlamentares da região Norte do país.

O ministro da Saúde foi cobrado mesmo por senadores mais próximos ao governo e chegou a ouvir termos como "genocida".

"Ministro, ninguém duvida do esforço que o Governo Federal está fazendo, mas todo esse esforço se perde quando se nega a ciência. Por mais esforço de falar sobre vacina, de discutir envio de recursos para os Municípios, para os Estados, ele se perde todo quando parte do Governo, aliados do Governo Federal, negam a ciência. Isso tem prejudicado desde o primeiro dia que nós tivemos o primeiro caso de pandemia no Brasil", afirmou Omar Aziz (PSD-AM).

O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) usou as palavras mais duras contra o ministro, afirmando que ele pode responder criminalmente por suas ações, mencionando o termo "genocídio".

"Senhor ministro e Presidente da República, as digitais de vocês estão nessas mortes. E eu tenho fé em Deus que tanto o senhor como o Presidente da República irão responder por genocídio, seja aqui no Brasil, seja no Tribunal Penal Internacional", afirmou o senador.