Pazuello mente ao dizer que TrateCov foi mostrado em Manaus como plataforma 'em desenvolvimento'

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BRASÍLIA — O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello mentiu na CPI da Covid, no Senado, ao dizer nesta quarta-feira que a plataforma TrateCov foi "mostrada" em Manaus, no dia 11 de janeiro, como uma ferramenta "em desenvolvimento, não concluída ainda". O aplicativo, desenvolvido pelo ministério para indicar se o paciente estava com Covid-19 a partir de sintomas e sinais, sem realização de testes, foi anunciado pelo próprio então ministro e pela idealizadora da iniciativa, a secretária de Gestão do Trabalho da pasta, Mayra Pinheiro. Ela destacou, na ocasião, que o Amazonas era o primeiro estado a receber o aplicativo e que ele já estava nas plataformas da pasta para ser baixado.

— Hoje vai ser lançada uma plataforma, a Mayra vai falar sobre isso, que vai permitir que o próprio prefeito cobre o protocolo de atendimento. É uma plataforma com o protocolo e o protocolo vai nos dar mais de 85% de acerto. Tá bom, né? Mais a capacidade do médico, chegamos em 100% — anunciou Pazuello em evento em Manaus, no dia 11 de janeiro, quando levou uma comitiva a cidade por conta da crise do oxigênio.

Nesta quarta-feira, Pazuello deu outra versão ao episódio relacionado ao TrateCov, que indicava cloroquina até para bebês, ao ser questionado por senadores:

— Essa plataforma foi mostrada no dia 11 em Manaus, em desenvolvimento. Não concluída ainda, era um protótipo. E essa plataforma não foi distribuída aos médicos.

No mesmo dia 11 de janeiro, após a fala de Pazuello, Mayra Pinheiro disse o contrário. Destacou, no evento com o ministro, que o aplicativo já estava disponível.

— A partir desse momento, nas plataformas do ministério, vocês já podem baixar o aplicativo. Os gestores já podem demandar a utilização pelos seus profissionais que estão lá na ponta atendendo, sobretudo nas UBS (unidades básicas de saúde).

Ela também comemorou o fato de o Amazonas ser palco do lançamento do aplicativo, fazendo um apelo a "médicos e enfermeiros" para que o usassem:

— Hoje a gente lança em primeira mão, o estado do Amazonas é o primeiro estado do Brasil que recebe o aplicativo TrateCov. (...) Então nós estamos oferecendo hoje ao povo brasileiro, aos médicos e enfermeiros que vão ajudar usando esse aplicativo. Vamos agilizar o diagnóstico sem que a gente espere, como o nosso ministro já falou, as tomografias, as ressonâncias, os testes de RT-PCR que às vezes demoram alguns dias até obtermos os resultados.

Na CPI, nesta quarta-feira, Pazuello disse que o aplicativo não estava disponibilizado, mas, ao mesmo tempo, afirmou que determinou que ele fosse "retirado do ar" após uma cópia ter sido feita por um "cidadão" de forma indevida.

— Essa plataforma foi copiada por um cidadão e depois fizemos um boletim de ocorrência e uma investigação policial sobre isso daí. E esse cidadão, sim, ele fez a divulgação dessa plataforma, com usos indevidos. Quando soubemos que essa plataforma tinha sido copiada, e poderia ser usada por pessoas que não estavam dentro do planejado, determinei que fosse retirada do ar.

A resposta de Pazuello provocou irritação no senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Covid, que classificou a atuação do ministério no episódio como "crime contra um estado":

— Eles usaram Manaus para fazer de cobaia. Isso é crime contra um estado... E o grande problema do Amazonas aconteceu uma semana depois. Tudo aqui pode se falar, só não pode negar aquelas imagens das pessoas sem oxigênio no meu Estado, isso aí não dá para negar.

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