Pazuello nega ter negociado compra da Coronavac com intermediários

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Ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, no segundo dia de depoimento na CPI da Covid no Senado (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
Ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, no segundo dia de depoimento na CPI da Covid no Senado (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
  • Ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello nega ter negociado compra da Coronavac com intermediários

  • Vídeo mostra encontro do general para negociar a vacina chinesa com intermediadores pelo triplo do preço

  • Com encontro fora da agenda para negociar vacina, general Eduardo Pazuello contradiz depoimento à CPI

O ex-ministro da Saúde general Eduardo Pazuello negou ter negociado no ministério a compra da vacina chinesa Coronavac com intermediários. Em nota divulgada na sexta-feira (16), ele insiste na declaração dada à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado de que que um ministro não pode negociar com uma empresa.

Vídeo divulgado pelo jornal Folha de S. Paulo mostra o então ministro da Saúde em um encontro, fora da agenda, com um grupo de intermediadores para comprar 30 milhões de doses da Coronavac que foram formalmente oferecidas ao governo por quase o triplo do preço negociado pelo Instituto Butantan.

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“Enquanto estive como ministro da Saúde, em momento algum negociei aquisição de vacinas com empresários, fato que já foi reiteradamente informado na CPI da Pandemia e em outras instâncias judicantes”, disse.

No depoimento à CPI, no dia 19 de maio, Pazuello ainda debochou do relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL).

“Pela simples razão de que eu sou o dirigente máximo, eu sou o ‘decisor’, eu não posso negociar com a empresa. Quem negocia com a empresa é o nível administrativo, não o ministro. Se o ministro… Jamais deve receber uma empresa, o senhor deveria saber disso”, disse, na ocasião.

Na nota, Pazuello afirmou também que determinou que a secretaria-executiva, então sob comando do coronel da reserva Elcio Franco, fizesse “pré-sondagem acerca da proposta a ser ofertada pela World Brands Distribuidora S.A. (Sinovac Biotech Ltd.)”.

“Ante a importância da temática, uma equipe do Ministério da Saúde os atendeu e este então ministro de Estado —que detém o papel institucional de representar o Ministério da Saúde— foi até a sala unicamente para cumprimentar os representantes da empresa, após o término da reunião”.

Na nota, o ex-ministro ainda disse que a assessoria de comunicação da pasta foi quem sugeriu a realização da gravação, para tornar público o encontro, em respeito aos princípios previstos no artigo 37 da Constituição, que trata das regras gerais para atuação na administração pública.

“Após a gravação, os empresários se despediram e, ato contínuo, fui informado de que a proposta era completamente inidônea e não fidedigna. Imediatamente, determinei que não fosse elaborado o citado memorando de entendimentos —MoU—, assim como que não fosse divulgado o vídeo realizado”, acrescentou.

Entenda o caso

A reunião, fora da agenda oficial, ocorreu dentro do ministério, em 11 de março. No vídeo, o general da ativa do Exército aparece ao lado de quatro pessoas que representariam a World Brands, uma empresa de Santa Catarina que lida com comércio exterior.

Segundo Pazuello, a compra seria feita diretamente com o governo chinês.

“Já saímos daqui hoje com o memorando de entendimento já assinado e com o compromisso do ministério de celebrar, no mais curto prazo, o contrato para podermos receber essas 30 milhões de doses no mais curto prazo possível para atender a nossa população”, diz o então ministro, na gravação.

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De acordo com a Folha, a proposta da World Brands oferece os 30 milhões de doses da vacina do laboratório chinês Sinovac pelo preço unitário de US$ 28 a dose, com depósito de metade do valor total da compra (R$ 4,65 bilhões, considerando a cotação do dólar à época) até dois dias após a assinatura do contrato.

No encontro, um empresário que Pazuello identifica como "John" agradece a oportunidade do ministro recebê-lo e diz que podem ser feitas outras parcerias "com tanta porta aberta que o ministro nos propôs".

Em janeiro, o governo já havia anunciado a aquisição de 100 milhões de doses da Coronavac do Instituto Butatan, pelo preço de US$ 10 a dose.

O então ministro foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro, quatro dias depois, no dia 15 de março.

A gravação já está de posse da CPI da Covid.

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