Pazuello passa mal no intervalo da CPI da Covid, e sessão é suspensa

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O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello passou mal durante intervalo, na tarde desta quarta-feira, da CPI da Covid, e a sessão foi suspensa. O senador Oto Alencar, que é médico, contou que Pazuelo teve síndrome vasovagal, por ficar tanto tempo sentado. Foram cerca de seis horas de depoimento. Segundo Oto, o ex-ministro estava pálido e tonto e precisou deitar em um sofá para se recuperar.

— Deitamos ele no sofá. Se recuperou. Até poderia retomar o depoimento. Ele pode fazer o esporte que quiser, isso é muito comum. Acontece com quem está muito nervoso, emocionado e fica muito tempo sentado.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), suspendeu a sessão que será retomada na quinta-feira às 9h30. Ele justificou a decisão em razão da reunião no plenário do Senado, que impede a CPI de ser realizada, e porque ainda há 23 senadores inscritos para falar. O plano original era retomar a sessão ainda hoje após o fim da reunião do plenário.

No depoimento, o ex-ministro da Saúde afirmou que nunca recebeu ordens do presidente Jair Bolsonaro para fazer algo diferente da conduta adotada em sua gestão. A declaração, no entanto, contradiz um vídeo gravado pelo próprio Pazuello em outubro de 2020, após o então ministro ser desautorizado por Bolsonaro em relação à compra da vacina Coronavac. Na ocasião, ao lado do presidente, Pazuello afirmou que "um manda, outro obedece".

Pazuello disse ainda que Bolsonaro esteve a par de todo o processo de tratativas para compra da vacina da Pfizer, que se estendeu de julho do ano passado até março deste ano, negou que as ofertas tenham ficado inicialmente sem resposta e se comprometeu a enviar à CPI os registros de comunicações do ministério com a farmacêutica. Os questionamentos também abordaram a falta de oxigênio no Amazonas no início do ano, e a narrativa de Pazuello sobre a crise em Manaus foi contestada por senadores.

Em seu depoimento, Pazuello relatou que havia convergência entre posicionamentos dele e do presidente:

— Em momento nenhum o presidente me deu ordem para fazer diferente do que eu já estava fazendo — afirmou Pazuello.

Ao tentar minimizar o episódio em que disse "um manda e o outro obecede", Pazuello alegou que a frase representa um "jargão militar, apenas uma posição de internet e mais nada", sem efeitos práticos. De acordo com o ex-ministro, embora o presidente o tenha desautorizado publicamente sobre o protocolo de intenções de compra da Coronavac, nada foi dito para ele ou para o Ministério da Saúde de forma reservada.

— Ele falou publicamente, para o ministério ou para mim (não disse) nada. Só havia termo de intenção de compra e foi mantido. Uma postagem na internet não é uma ordem. Ordem nunca foi dada — declarou Pazuello. — Nunca o presidente mandou eu desfazer qualquer contrato ou acordo com o Butantan. O presidente também se posiciona como agente político. A posição dele não interferiu em nada no diálogo com o Butantan.

Em outubro do ano passado, no mesmo dia das críticas de Bolsonaro, o secretário-executivo da gestão Pazuello, Elcio Franco, disse que não havia "intenção de compra de vacinas chinesas" ou qualquer compromisso com o governo de São Paulo em relação a vacinas. Na ocasião, Franco disse que tratava-se de um protocolo entre Ministério da Saúde e Instituto Butantan "sem caráter vinculante".

Pazuello também declarou à CPI que o Brasil não é obrigado a seguir orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) durante a pandemia. Segundo o ex-ministro, ele teve "100% de autonomia" para montar sua equipe, e lembrou que foi convidado diretamente por Bolsonaro, em abril do ano passado, para integrar o Ministério da Saúde ainda como secretário-executivo da pasta.

Em seu relato à CPI, Pazuello argumentou que sua declaração de que "todos queriam o pixulé do final do ano", em março, quando estava deixando o ministério, não referia-se a vantagens indevidas, e sim a sobras do orçamento que poderiam ser reaplicadas após demandas, por exemplo, de gestores locais. Em 2020, porém, ele relatou não ter ocorrido sobra.

— É isso aí. Não tem nada de errado. Não citei ninguém. Não havia ninguém recebendo nada. São os recursos não aplicados — disse Pazuello.

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