Pazuello: 'Sem remoção, vão continuar morrendo de 80 a 100 pacientes por dia' de Covid-19 no Amazonas

Adriana Mendes
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Com a lotação de 100% das UTis em Manaus, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, defendeu nesta sexta-feira a remoção de pacientes de Covid-19 do Amazonas como a única forma de estabilizar o atendimento no estado. Segundo o ministro, que é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a conduta na pandemia, sem a transferência de pacientes o número de mortes não irá diminuir.

Como adiantou a colunista do Globo Bela Megale, a Polícia Federal abriu nesta sexta-feira o inquérito contra Pazuello determinado pelo ministro do STF Ricardo Lewandowski para apurar a responsabilidade do ministro na crise do sistema de saúde amazonense.

— O que vai resolver neste momento o atendimento especializado é a remoção. Já removemos 320 pessoas de Manaus e estamos trazendo de volta praticamente 80 curados — disse Pazuello, reforçando: — Se nós não removermos 1.500 pessoas do atendimento especializado vão continuar morrendo de 80 a 100 pessoas por dia, pois não há UTIs e não se cria uma UTI de uma hora pra outra.

Pazuello explicou que quem está na fila da UTI não é removido, a transferência de pacientes "médio e leve' é que é feita. Nesta semana, o governador Wellington Dias (PI), presidente do Consorcio Nordeste e Coordenador da Temática de Vacina no Fórum Nacional de Governadores, disse que apesar da disponibilidade dos estados em receber pacientes faltam aeronaves e equipes médicas para o transporte.

Outro ponto questionado é o risco de se aumentar no país o contagio pela chamada variante amazônica do coronavírus. O ministro ressaltou que a nova linhagem tem contagio até três vezes mais rápido "por observação".

— É impossível se prever exatamente quando vai mudar, se ela vai ser mais agressiva ou não, em que momento vai explodir ou não, então a gente tem que estar pronto para a pior hipótese. É assim que funciona.

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta criticou ontem a atuação do governo e alertou para o risco de uma 'megaepidemia' caso a variante do Amazonas se espalhe pelo país.

— O mundo inteiro está fechando os voos para o Brasil, e o país não só está aberto normalmente, como está retirando pacientes de Manaus e os mandando para Goiás, Bahia e outros lugares, sem bloqueios de biossegurança. Provavelmente vamos plantar essa cepa em todos os territórios da federação, e em 60 dias podemos ter uma megaepidemia — afirmou Mandetta.

Pazuello pontuou problemas com a "logística perversa" e o clima no agravamento do colapso da saúde no Amazonas. Também citou como principal fator uma rede básica ineficaz. O ministro participou da cerimônia de recepção dos médicos contratados pelo governo para reforçar o combate à pandemia.