Pazuello tentou demitir Dias quando era ministro da Saúde, mas foi barrado por Bolsonaro

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Brazilian Health Minister Eduardo Pazuello speaks during a press conference in Brasilia, on March 15, 2021. - Brazil faces a strong second wave amid teh COVID-19 pandemic, which is pushing public healthcare to the limit in several states. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Ex-ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello. Foto: EVARISTO SA / AFP
  • Ex-ministro teria pedido afastamento do diretor em outubro de 2020

  • Dias era diretor do Ministério da Saúde

  • Dias é suspeito de pedir propina na compra de vacinas com a empresa Davati

Quando ainda era ministro da saúde, Eduardo Pazuello pediu a demissão em outubro de 2020 de Roberto Ferreira Dias da Diretoria de Logística do ministério. A demissão não se concretizou por pressão política do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O pedido de demissão foi enviado à Casa Civil, mas foi barrado por Bolsonaro, de acordo com auxiliares do presidente na Saúde, ouvidos pelo jornal Folha de S. Paulo, depois de o então presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), interceder a favor de Dias. A informação foi originalmente divulgada pela rádio CBN.

Roberto Dias foi afastado na última terça-feira (29), após a denúncia de que ele teria pedido propina de US$ 1 a uma empresa por cada dose de AstraZeneca negociada com o governo. A exoneração foi publicada no Diário Oficial da União ontem, quarta-feira (30).

O diretor já havia sido citado pelo deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) como o mandatário dentro do Ministério da Saúde. O deputado e o irmão, o servidor da Saúde Luis Ricardo Miranda, denunciaram o esquema de compra da Covaxin na CPI da Covid na última sexta-feira (25).

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"Eu acho assim, nada ali acontece se o Roberto não quiser. Tudo o que aconteceu, inclusive a pressão sobre o meu irmão, é sob a aprovação dele. Sem ele, ninguém faz nada. Isso é uma das únicas certezas que tenho", afirmou o Luis Miranda em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

As suspeitas sobre a participação de Dias em esquemas de corrupção vieram à tona quando Luiz Paulo Dominguetti, que afirma ser representante da empresa Davati Medical Supply, disse em depoimento à Folha de S. Paulo que o diretor pediu propina na negociação de vacina em um jantar no dia 25 de fevereiro, em Brasília.

A Davati supostamente queria vender 400 milhões de doses de AstraZeneca ao governo brasileiro por US$ 3,50 cada. Em e-mails revelados ontem (30), foi revelada uma negociação entre a empresa e o Ministério da Saúde. Entre os remetentes estavam Dias, Herman Cardenas, que seria o CEO da empresa, e Cristiano Alberto Carvalho, que seria o procurador.

Agora, Bolsonaro tenta se esquivar das denúncias de corrupção. Na quarta-feira, ele declarou que mentiras não vão tirá-lo da Presidência, e chamou a CPI da Covid de “CPI de bandidos”.

“Não conseguem nos atingir. Não vai ser com mentiras ou com CPI, integrada por sete bandidos, que vão nos tirar daqui. Temos uma missão pela frente: conduzir o destino da nossa nação e zelar pelo bem-estar e pelo progresso do nosso povo”, disse o presidente em visita a Ponta Porã (MS).

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