PDT declara apoio a Lula e Ciro diz que acompanha decisão, sem citar petista

Lula participa de encontro da coordenação de campanha em São Paulo

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) -O PDT decidiu nesta terça-feira apoiar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da disputa presidencial contra o candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL), anunciou o presidente do partido, Carlos Lupi, pouco antes de o candidato da legenda ao Planalto, Ciro Gomes, divulgar vídeo em que, sem citar Lula, diz acompanhar a decisão.

"Acabamos de realizar uma reunião da Executiva Nacional ampliada do PDT em que por unanimidade tomamos uma decisão. E eu gravo esse vídeo para dizer que acompanho a decisão do meu partido, o PDT. Frente ás circunstâncias é a última saída", disse Ciro no vídeo.

Quarto colocado no primeiro turno, o pedetista disse ainda na gravação que Lula e Bolsonaro são duas opções "insatisfatórias", afirmou não acreditar que a democracia esteja ameaçada neste embate eleitoral e disse que fiscalizará e apontará desvios do futuro governo.

Ciro, que adotou retórica agressiva contra Lula na reta final da campanha e reclamou da estratégia petista de buscar o voto útil de seu eleitorado para tentar eleger o ex-presidente no primeiro turno, rejeitou fazer parte de um eventual governo Lula, do qual já foi ministro no passado.

"Adianto que não pleiteio e nem aceitarei qualquer cargo em eventual futuro governo. Quero estar livre, ao lado da sociedade, em especial ao lado da juventude, lutando por transformações como as que propus na nossa campanha", afirmou Ciro, que teve quase 3,6 milhões de votos no domingo, ou 3,04% dos votos válidos.

Um pouco antes, em entrevista coletiva em Brasília, Lupi disse que está negociando com o PT a incorporação de algumas propostas defendidas pelo PDT no programa de governo de Lula, como a renda mínima e a escola de ensino integral e discutirá ainda o código nacional do trabalho.

No primeiro turno, Lula teve 48,43% dos votos válidos e Bolsonaro somou 43,20%.

(Por Alexandre Caverni e Eduardo SimõesEdição de Pedro Fonseca)