PDT-RJ planeja lançar candidatura ao Senado para mandato compartilhado

O PDT decidiu nesta quarta-feira, em reunião da Executiva Estadual no Rio, lançar uma proposta de mandato compartilhado na disputa pelo Senado. A iniciativa foi uma saída encontrada pelo presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, para resolver o impasse entre Ivanir dos Santos e Cabo Daciolo, que pleiteavam a vaga e dividem a militância do partido. Ainda não há, no entanto, definição sobre quem será o cabeça de chapa, o que será definido até a próxima sexta-feira.

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A decisão, tomada em reunião da Executiva Estadual do PDT fluminense, propõe que o nome que vai encabeçar a chapa ao Senado renuncie após quatro anos de mandato, caso seja eleito, para dar lugar ao primeiro suplente. A ideia é também que o eventual mandato compartilhe as proposições de ambos os candidatos.

Ao GLOBO, Lupi afirmou que há a intenção de preencher a segunda suplência da vaga com uma candidatura feminina, o que também será alinhado até o próximo dia 5 de agosto, período limite para homologação das candidaturas. Para preencher a lacuna, segundo ele, haverá diálogo com o PSD, aliado do PDT no estado do Rio.

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Depois de definidos, os escolhidos do mandato compartilhado do PDT ao Senado vão compor a chapa do candidato do partido ao Palácio Guanabara, o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves, e com seu vice, Felipe Santa Cruz (PSD), apadrinhado pelo prefeito do Rio Eduardo Paes.

— Decidiu-se por um projeto de candidatura compartilhada, que envolva publicamente um fato novo na política. De um mandato de oito anos, dividir entre os três candidatos (o cabeça de chapa e seus dois suplentes). Normalmente, se faz isso escondido, com o titular abrindo mão depois de um tempo, mas queremos fazer então, publicamente. Já temos duas, o Ivanir e o Daciolo, e estamos buscando uma terceira, que pode ser uma mulher, que poderia ter um conteúdo mais político-partidário, para se unir ao lado religioso dos dois — disse Lupi.

Ainda segundo o presidente do PDT, em comunhão com o PSD, a decisão também vai aguardar as últimas definições na aliança entre PT e PSB, além da federação PSDB-Cidadania, já que esse último partido já manifestou vontade de apoiar Rodrigo Neves ao governo do Rio.

Mas mesmo com o novo formato decidido, as indefinições deverão se arrastar até o último dia do prazo. Isso, porque a composição proposta por Lupi ainda não é consenso entre os dois nomes. De um lado, Ivanir se coloca aberto à composição, embora prefira concorrer como cabeça de chapa:

— A proposta é de uma chapa compartilhada, que expresse diversidade. Vamos aguardar até sexta-feira. Luto por liberdade religiosa, diversidade, então pra mim não há nenhum problema uma chapa compartilhada nessa direção. A questão central é a confiança em quem estará representando essa chapa. Quem garante que a chapa vai ser compartilhada até o fim? — afirma.

Daciolo, por outro lado, prefere uma composição com seu pai, Manoel dos Santos, em uma das suplências, e Lupi na outra — embora também afirme que seguirá a melhor decisão para o partido. À tarde, em seu perfil no Twitter, ele já havia manifestado essa vontade.

— Quero unir os movimentos do PDT e fazer justiça a 1998, quando Lupi era suplente de Saturnino Braga e o combinado de ficar cada um, quatro anos, não foi cumprido. Quero um mandato compartilhado com o Lupi, para que eu fique com meu pai, uma pessoa que sou grato, nos quatro primeiros anos, e sairia em 2026 para concorrer à Presidência, deixando a cadeira para ele — diz.

Lupi afirma, no entanto, que não há chances de integrar a chapa do partido ao Senado.

Disputa por espaço

A escolha por Daciolo como cabeça de chapa agrada uma ala mais pragmática do PDT, que avalia que seu nome tem maior viabilidade eleitoral. Para esse grupo, além de reforçar o palanque para o presidenciável Ciro Gomes, sua entrada no meio evangélico pode retirar votos de candidaturas conservadoras e ligadas ao presidente Jair Bolsonaro (PL), como a de Clarissa Garotinho (União), Romário (PL) e a de Marcelo Crivella (Republicanos), caso o ex-prefeito consiga se viabilizar na disputa.

A favor de Ivanir, pesa uma ala mais ideológica da sigla, que entende que ele pode ajudar a resgatar o legado de Leonel Brizola e Abdias Nascimento, além de ser uma das poucas candidaturas negras dentre as chapas majoritárias do PDT. Nas últimas semanas, seu nome foi defendido por diferentes movimentos dentro do partido, incluindo aqueles voltados para o combate ao racismo e à intolerância religiosa.

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