Peça brasileira celebra em Paris polifonia estética e política de Joséphine Baker

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Com direção de Otávio Muller e texto de Walter Daguerre, chega a Paris o espetáculo "Joséphine Baker, a Vênus Negra" com Aline Deluna no papel da heroína, ícone da Resistência francesa, espiã, ativista, cantora, dançarina e embaixadora de moda. A peça, transformada em pocket show, traz as diversas facetas deste ícone que se tornará no dia 30 de novembro a primeira mulher negra a entrar com todas as honras para o Panteão da França, em decisão tomada pelo presidente francês, Emmanuel Macron.

Nascida em pleno Centro-Oeste norte-americano no início do século 20, a pequena Freda Josephine MacDonald talvez jamais tivesse imaginado que viveria tantas vidas em uma. Joséphine Baker, como ficou conhecida, não foi apenas uma vedete da cena francesa dos "Anos Loucos", nem tão somente uma sedutora espiã que traficava mapas nazistas dentro da lingerie de luxo para o general De Gaulle, chefe da Resistência na França.

"Madame Baker" foi acima de tudo uma mulher livre, dona de seu destino e avessa a etiquetas muito colantes. "A relação que ela tem com Paris é uma relação de aceitação, é o primeiro lugar onde ela se sente de fato uma pessoa", avalia a atriz Aline Deluna, que encarna a "Vênus Negra" na peça.

Joséphine Baker chega a Paris em 1925, apenas alguns anos após a famosa Exposição Universal de Paris, quando era normal exibir "zoológicos humanos" com mulheres negras na capital francesa, típica mentalidade que traçou os contornos do "exótico" sobre a mulher negra do centro do "império" colonialista. Baker, no entanto, não parece ter vindo para este mundo a passeio. Com seus trejeitos únicos, sua saia de bananas, ela parece ao mesmo tempo ironizar, parodiar e exaltar o diferencial "exótico" de sua aparição na cena francesa dos anos 1920.


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