“Peço minhas contas”: pandemia muda a relação dos norte-americanos com o trabalho

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A revista francesa Le Point desta semana traz em sua capa uma longa reportagem sobre os profissionais que decidiram abandonar o trabalho durante a pandemia. Um dos textos enfoca a situação nos Estados Unidos e do impacto econômico e social desse fenômeno de “debandada profissional”.

Com o título “O Fantasma da Grande Demissão”, Le Point faz um trocadilho com a Grande Depressão, a crise que atingiu os Estados Unidos nos anos 1930, para falar da transformação que a sociedade norte-americana vem assistindo nos últimos meses e que já está sendo teorizada por economistas. Segundo a revista, 4,5 milhões de pessoas deixaram seus empregos apenas no mês de novembro, um número histórico.

Os setores mais afetados são os da hotelarias e restaurantes, conhecidos por seus baixos salários e condições difíceis de trabalho. Em seguida vêm os profissionais do transporte e do comércio.

“Em novembro, 3% da população ativa disse ‘eu peço minhas contas’”, contabiliza a reportagem, lembrando que o índice habitual é de cerca de 2%. Le Point explica que o mercado de trabalho tem mais fluidez nos Estados Unidos do que não Europa e que os norte-americanos estão acostumados a mudar de emprego frequentemente. No entanto, o fenômeno atual é diferente, pois não se trata de mudança de cargo, e sim de abandono do trabalho. Algo que impressiona em um país como os Estados Unidos, no qual a vida profissional é um fator socialmente valorizado, frisa o texto.

Além disso, alguns sindicatos vêm organizando greves para reivindicar aumentos salariais e melhores condições de trabalho, aproveitando a falta de pessoal e a dificuldade de recrutamento em caso de demissão dos grevistas.


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