PEC dos Auxílios é última cartada de Bolsonaro para angariar voto dos mais pobres, diz Le Figaro

AP - Eraldo Peres

O jornal Le Figaro desta segunda-feira (18) destaca a adoção da PEC dos Auxílios, aprovada pela Câmara dos Deputados no último dia 13. O texto autoriza o governo a criar e aumentar as ajudas sociais. Com as medidas, Bolsonaro tenta, a três meses das eleições, se aproximar do eleitorado de Lula, dado como favorito nas pesquisas, com 56% das intenções de voto.

O Le Figaro lembra que, há 22 anos, o presidente brasileiro foi o único deputado a votar contra o Fundo de Combate à Pobreza. Na época, Bolsonaro alegou que o programa tinha um custo elevado e propôs limitar a natalidade nas classes mais pobres.

O tempo passou e seu discurso, às vésperas das eleições, se atenuou: diante do risco de ser derrotado nas urnas, o presidente costurou acordos para obter apoio do Congresso na adoção da PEC. O benefício favorecerá os brasileiros mais pobres, atingidos em cheio pela inflação e pela alta do preço da energia.

O texto foi adotado pela maioria dos deputados, inclundo a oposição de esquerda. Para "contornar" a proibição de novas despesas em período eleitoral, a nova lei, apelidada de "PEC Kamikaze" pelo próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, decreta um "estado de emergência" que se justificaria, de acordo com o governo, pelo aumento dos preços dos combustíveis.

Desta forma, o governo também pode limitar o aumento das despesas seguindo a evolução da inflação, um recurso orçamentário apreciado pelos mercados e que tranquiliza investidores.

Medidas beneficiam caminhoneiros

O custo da PEC dos Auxílios está avaliado em mais de R$ 41 bilhões e as medidas serão aplicadas até o final de dezembro. Entre os contemplados, lembra Le Figaro, estão taxistas e caminhoneiros, que receberão um benefício mensal de R$ 1.000.

O economista Joelson Sampaio, entrevistado pelo jornal francês, acredita que a adoção do dispositivo é importante após a pandemia, que afetou fortemente a economia brasileira, provocou o aumento da inflação e diminuiu a renda da população mais pobre.

Mas ele faz uma ressalva: as medidas deveriam ter sido implantadas no início da crise sanitária. Em sua opinião, o pacote de benefícios, "eleitoreiro e populista", deverá influenciar na queda dos preços.

Em junho, a inflação chegou a quase 12%, lembra Le Figaro. De acordo com o economista brasileiro, as medidas não resolvem o problema da inflação de maneira duradoura, que pode voltar no início do ano que vem. O desafio social de diminuir a desigualdade e melhorar as condições de vida dos mais pobres continua.

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