Pedidos de internação de UTI para Covid-19 na cidade do Rio aumentam 90% em duas semanas

Felipe Grinberg
·3 minuto de leitura

RIO — Pela segunda semana seguida a cidade do Rio apresentou um aumento no número de pedidos de internação em UTI para pacientes com suspeita ou confirmação de Covid-19. Na nona semana epidemiológica (28/02 a 06/03), as unidades de saúde do Rio pediram 154 vagas de CTI na rede pública, 90% a mais que na sétima semana (14/02 a 20/02).

Antes da curva de pedidos de internação de UTI na cidade voltar a crescer no fim de fevereiro, foram seis semanas seguidas de queda acentuada ou oscilação pequena de estabilidade. Se contabilizado os leitos de enfermaria, o aumento da nona semana epidemiológica na cidade do Rio em relação à anterior foi de 30%.

O número de pessoas que procuram unidades de saúde com sintomas de Covid-19 ou já confirmadas com o vírus é um dos principais indicadores do possível aumento do contágio. Isso porque são dados que conseguem ser acompanhados e analisados pelos técnicos de saúde quase em tempo real.

Mais cedo, na coletiva que anunciou mudanças nas restrições da cidade do Rio — entre elas a flexibilização do funcionamento de bares e restaurantes — Eduardo Paes demonstrou preocupação com os índices de internação e procura por atendimento nas emergências. Segundo a prefeitura do Rio, houve aumento de 20% a média móvel de atendimentos nas emergências públicas, entre casos leves e graves. Também houve crescimento também de 11% na média móvel diária de internados com coronavírus na cidade.

— Nós não vamos ficar esperando lotar as emergências para fazer alguma coisa. Os números hoje apontam para uma situação difícil daqui a um tempo. Tivemos ano passado em torno de 3 mil pessoas na cidade do Rio que perderam vida na maca. Não puderam ser atendidas. Não vamos ficar esperando lotarem as emergências e as pessoas começarem a morrer — disse.

O aumento percebido na procura por UTIs na capital também se reflete nas outras cidades fluminenses. Na última semana as unidades de saúde do estado pediram vagas de CTI para 652 pessoas, um aumento de 83% em 14 dias. Em relação à semana anterior, foram pedidos leitos para 35% a mais de pacientes, também completando duas semanas seguidas de alta do indicador.

O governador Claudio Castro vai se reunir nesta sexta-feira com os prefeitos de toda a região metropolitana. Na pauta estará medidas que as cidades podem tomar em conjunto para combater o avanço da pandemia. . Nesta quarta-feira especialistas ouvidos pelo GLOBO cobraram uma maior articulação pelo governo do estado.

Uma parceria com o setor privado deve abrir mais 100 leitos até a próxima semana no Rio. O GLOBO apurou que um convênio entre goveno estadual e uma rede de hospitais deve ser assinado ainda nesta semana para contratação dos leitos. Além disso, a prefeitura deve transformar algumas vagas de enfermaria em UTI para ampliar a oferta em hospitais da rede municipal de Saúde.

Nesta quarta-feira, o secretário estadual de Saúde Carlos Alberto Chaves anunciou também que, por conta da pressão sobre o sistema de saúde notado esta semana, foram abertos 83 novos leitos de UTI para Covid-19 em hospitais de Niterói, Maricá e Volta Redonda, que fazem parte da regulação estadual.

— Essa semana, acompanhando a taxa de ocupação e tempo de permanência dos leitos no estado, notamos que a lotação foi acima dos 70%, diferente da semana passada, quando ficou em torno de 60%, oscilando. Não vamos deixar chegar a 90%, que é correria, então, fomos atrás de leitos — disse.

De acordo com Chaves, são 40 leitos de UTI abertos no Hospital Municipal Dr. Ernesto Che Guevara, em Maricá, 20 leitos no Hospital Oceânico, em Niterói, sendo 10 de UTI, e 33 no Hospital Zilda Arns, em Volta Redonda. Os leitos nos dois primeiros hospitais já estão operacionais. No Zilda Arns, são 19 leitos clínicos que serão transformados em vagas para terapia intensiva, além de 14 novos, que, ativados progressivamente, devem estar funcionando plenamente em dez dias.