Pedro Guimarães é uma bomba no plano de Bolsonaro para conquistar voto de mulheres

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BRASILIA, BRAZIL - NOVEMBER 11: Ciro Nogueira, Brazilian Chief of Staff, President Jair Bolsonaro, and Pedro Guimarães, president of the federal bank Caixa Economica Federal talk during Presentation of Food Donation Program at Planalto Palace on November 11, 2021 in Brasilia, Brazil. The program Comida no Prato aims to connect companies who want to donate food with institutions that are able to receive them for distribution to those in need. The levels of poverty and hunger grew in Brazil in 2020 and 2021, fueled by the effects of the pandemic. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)
Pedro Guimarães (à direita do leitor) conversa com Jair Bolsonaro ao lado do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira. Foto: Andressa Anholete (Getty Images)

Durante o tempo em que presidiu a Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães atuou como um dos maiores papagaios de pirata de Jair Bolsonaro.

Como o critério para cair nas graças do presidente é o puxa-saquismo, e não a competência, ele passou a acompanhar o ex-capitão em viagens oficiais e se tornou figura presente nas infames lives presidenciais de quinta-feira. Era um dos poucos que conseguiam fazer cara de interesse enquanto Bolsonaro proferia bobagens aos seus apoiadores.

Guimarães era tão próximo do presidente que chegou a ser cotado a vice.

Dessa vez Bolsonaro não terá nem a pachorra de dizer que mal o conhece, como fez com o deputado Daniel Silveira após dar a ele o indulto que o livrou da prisão.

Pois bem.

Desde terça-feira (28), o presidente da Caixa entrou finalmente no centro do picadeiro após a publicação de uma reportagem do site Metrópoles trazendo detalhes do suposto assédio sexual praticado por ele contra ao menos cinco funcionárias.

As denúncias são sérias e já estão sendo apuradas. Elas contam que Pedro Guimarães selecionava mulheres bonitas para acompanhá-lo em viagens e as constrangia com convites para nadar na piscina ou entrar em seu quarto para discutir “carreira” enquanto vestia roupas inadequadas.

Uma das mulheres conta ter sido puxada pelo pescoço e ouvido “estou com vontade de você”. Outra conta que um emissário chegou a questioná-la se ela topava transar com o chefe.

Por coerência, é preciso garantir ao ex-papagaio oficial de Bolsonaro o direito de se defender e não ser considerado culpado até que seu eventual julgamento transite em julgado É o que determina o Estado democrático de Direito que seu líder tanto despreza.

Mas se metade dos relatos puderem ser comprovados, não é só Pedro Guimarães que terá caído.

O tombo será sentido tanto pelo papagaio quanto pelo pirata.

A hecatombe acontece no momento em que Bolsonaro faz o que pode e o que não pode para liberar emendas para não ver aprovada a CPI do MEC no Senado e para ampliar o valor do Auxílio Brasil e molhar a mão de caminhoneiros que ameaçam fazer greve em razão do preço elevado dos combustíveis. Tudo para ampliar as chances de ser reeleito em outubro.

Pode não servir para nada.

Bolsonaro é rejeitado e vê seu adversário Luiz Inácio Lula da Silva abrir vantagens em alguns segmentos sociais que serão determinantes para a disputa.

Entre as mulheres, segundo o último Datafolha, a vantagem do petista era de 49% contra 21% no primeiro turno. A rejeição do presidente no eleitorado feminino é de 61%.

Bolsonaro precisa reverter esse cenário se quiser evitar a derrota em outubro. As mulheres são a maioria do eleitorado.

Poderia começar escolhendo melhor as companhias para lives, viagens oficiais e demonstrações de camaradagem.

A figura de Pedro Guimarães sobrevoa seu governo e sua campanha como um fantasma com fama de tarado. Pode selar de vez o divórcio entre o pré-candidato à reeleição e as mulheres dispostas a responder nas urnas o desprezo que ele e sua equipe sempre demonstraram por elas.

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