Pedro Neschling posta identidade com identificação de pessoa com deficiência: 'oficialmente surdo'

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O roteirista Pedro Neschling, de 39 anos, fez sua primeira identidade com o símbolo destaca a deficiência auditiva que o acompanha desde o nascimento. Ele praticamente não escuta as frequências agudas e por muito tempo poucos souberam disso. "Pra você pode parecer só uma foto de documento, mas para mim significa muita coisa. Esse símbolo azul na parte de cima é uma identificação de PCD (pessoa com deficiência) auditiva. Agora, com quase 40 anos, sou comprovada e oficialmente surdo para o Estado, o que me garante uma série de direitos mas, sobretudo, me ajuda na minha própria compreensão da minha deficiência", escreveu o filho da atriz Lucélia Santos.

Ele declarou ainda o quanto teve sua deficiência ignorada pelas pessoas. "A surdez é invisível e eu vivi três quartos da minha vida até aqui refém de uma sociedade que ignora as deficiências visíveis, que dirá as menos perceptíveis. Foram tantas as vezes que escutei 'ah, você não é surdo nada' que eu mesmo acreditei nisso por um longo tempo", relembra ele, que já atuou em novelas como "A cor do pecado" (2004) e "Joia rara" (2013).

Pai de Carolina, de 4 anos, fruto do casamento com a atriz e artista plástica Vitória Frate, ele conta que mesmo usando aparelhos ainda é surdo. "Desenvolvi ferramentas que me possibilitam viver uma vida aparentemente “normal” aos olhos dos outros, mas só eu sei o preço que pago para isso", destaca.

Atualmente morando no Rio e namorando a chef Nathalie Passos, ele falou ainda do cansaço que é estar em uma simples conversa. "Me consome esconder a dificuldade que é para mim estar em situações banais e executar coisas que vocês sequer prestam atenção que estão fazendo. Eu ando sem pensar que estou andando, vejo sem pensar que estou enxergando. Mas ouvir qualquer coisa me demanda muita atenção e esforço. O tempo todo".

Por fim, ele comemorou ter conquistado a identidade especial. "Esse símbolo na minha nova identidade é uma imensa vitória para mim. Há muito tempo que deixei de fingir normalidade, que faço questão de falar sobre ser surdo em todos os lugares que vou. Mas ter isso impresso num documento é como validar minha existência de uma forma que eu sequer imaginava que faria tanta diferença pra mim. Uma carteira de identidade que de fato atesta quem eu sou. Pense sobre isso. Aceite as diferenças, auxilie quem necessita. O normal é uma ilusão. Sou prova disso", finalizou.

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