Pedro Paulo opina sobre venda da SAF do Botafogo: 'Não entendi esse negócio feito às pressas'

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O acordo para venda da operação do futebol do Botafogo à Eagle Holding, anunciado na tarde de sexta-feira pelo clube, virou assunto entre políticos. Mais cedo, o deputado federal licenciado Rodrigo Maia (sem partido), críticou a operação em postagem no Twitter. Já o Secretário de Fazenda e Planejamento do Rio, Pedro Paulo, fez um longo fio em sua conta no Twitter para analisar a decisão. Ele se mostra favorável ao modelo, mas questiona a rapidez com que o negócio foi tocado.

— Essa primeira onda de investimentos está se aproveitando da fragilidade dos clubes para comprar com preço bem baixo; Os primeiros grandes negócios do futebol vão acontecer, provavelmente, com o Athletico Paranaense, que tem patrimônio e está super equilibrado. Tanto Cruzeiro quanto Botafogo estão se viabilizando através da dívida parcelada por lei e nos 20% das receitas da SAF; — iniciou Pedro Paulo:

— Esse dinheiro que está chegando viabiliza o fluxo de caixa de curto prazo mas nem de longe faz frente à dívida desses clubes, que passa de de reais e que só será paga a longo prazo e contando que a gestão daqui pra frente seja 1 bilhão exitosa; O Cruzeiro por exemplo foi valorizado em 8 milhões de dólares (o capital da SAF deles é de 80 milhões. Ronaldo coloca 72 milhões e tem 90%). Será que o futebol do Cruzeiro vale só 8 milhões? — completou.

O acordo do alvinegro inclui cessão de 90% das ações da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do clube em troca de um investimento de R$ 410 milhões. À frente da Eagle Holding está o empresário americano John Textor, que também é sócio do Crystal Palace, da Premier League. Pedro Paulo seguiu a análise fazendo um paralelo entre Cruzeiro e Botafogo.

— Mesmo na série B a receita do clube passa de 50 milhões/ano. Imagina receber um negócio gerando esse valor e sem compromisso de dívida além de 10 milhões/ano. Ou seja, 40 milhões/ano de receita livre. Faz a conta aí do valuation por fluxo de caixa descontado. Essa empresa deveria valer mais 200 milhões! O Botafogo na Série A terá mais de 150 milhões de receita/ano, com 30 milhões comprometido com a dívida. Sobram 115 milhões livres. Só a parte dele na SAF deveria vale mais de 500 milhões. Como o investidor compra 90% com 400 milhões parcelados? Com os dados que disponho, me parece pouco;

— É bem verdade que esses clubes comprados agora, podem ser vendidos assim que estiverem mais saudáveis para outros investidores; Também precisamos ver como os conselhos desses clubes vão aprovar esses negócios. Por enquanto só tem cartas de intenções; E por outro lado, a margem EBITDA dos clubes bem geridos tem sido um pouco superior a 20%. Se descontar os 20% das receitas para pagamento de dívidas, o EBITDA remanescente é próximo a zero, por isso o valuation é tão baixo;

— Tanto Cruzeiro quanto Botafogo estão insolventes. Obviamente, os compradores estão considerando que irão obter um bom deságio para conseguirem quitar as dívidas em 6+4 anos com 20% das receitas ou 50% dos dividendos devidos ao Clube; Só que com a dívida reestruturada dessa forma, com total segurança que está limitada a 20% da “receitas correntes mensais”, qual a pressa em pagar as dívidas?

Por fim, Pedro Paulo seguiu a sua análise questionando a velocidade da operação.

— Sinceramente, ainda que tornar empresa é o caminho positivo p/ o Botafogo, não entendi a pressa. 400 milhões não resolve seus problemas. O clube estava se organizando. Controle das dívidas, valorização do ativo (acabamos de estender a concessão do Estádio Nilton Santos), etc;

— Que me desculpem os mineiros, mas o Botafogo tem muita mais história e visibilidade internacional se comparado ao Cruzeiro. O clube acabou de subir para a Série A. Repito, não entendi esse negócio feito às pressas; Importante lembrar outro ponto. O Botafogo aderiu ao Regime de Centralização das Execuções, criado pela Lei da SAF. Porém, o plano de pagamentos apresentado ainda não está aprovado e, pior, esse mecanismo é novo, mal regulamentado e nunca foi testado pelos tribunais;

— Isso pode gerar insegurança jurídica e risco do investidor abandonar a operação, caso o controle das dívidas não seja efetivo. No meu PL do Clube Empresa, aprovado na Câmara, mecanismo era a RJ ou Rextrajudicial, mecanismos já conhecidos e bastante testados! Em resumo, me pareceu apressada a operação. Penso que com pouco mais de calma, a venda poderia envolver recursos p/ resolver + problemas. Cheguei ouvir q tinham proposta de fundo americano de 700 milhões. Nesse cenário, o que nos resta é torcer p dar certo, mas os riscos não são pequenos.

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