Pedro Sá: ‘Encontrei o lugar da minha voz’, diz guitarrista, que lança primeiro disco solo

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Ainda criança, Pedro Sá estreou em disco no LP “Adivinha o que é” (1981), do MPB4. Sua voz pode ser ouvida no coro (e seu nome é citado na letra) de “Rosa branca foi ao chão”, canção infantil composta pelo pai, Ronaldo Tapajós. O tempo passou, e o protagonismo da sua música migrou para a guitarra, que deu as caras nos LPs “Tropicália 2” (1993, de Caetano Veloso e Gilberto Gil) e “Antônio Brasileiro” (1994, o derradeiro de Tom Jobim). Só agora, aos 49 anos, a voz e a guitarra de Pedro se encontram num só disco: “Um”, lançado semana passada.

O primeiro álbum solo do guitarrista e produtor que montou a banda Cê — parceira de Caetano Veloso nos discos “Cê” (2006), “Zii e Zie” (2009) e “Abraçaço” (2012) — foi longamente aguardado por amigos e admiradores. O músico confessa não saber bem o porquê de ter demorado tanto.

— Talvez porque eu sempre me satisfiz muito com a minha turma e com as coisas que derivaram dela. Eu fui sendo chamado, e eram coisas que eu gostava de fazer — alega Pedro, que com os muitos músicos da sua turma passou ainda pelos grupos Goodnight Varsóvia, Mulheres Q Dizem Sim e + 2, além da Orquestra Imperial. — Mas aí, em 2016, depois de uma caminhada na praia, fiz a música “Dia”. A melodia e a letra vieram juntas. Comecei a tocar e vi que ali tinha um negócio diferente, de guitarra e voz. Um sinal de que era para eu seguir sozinho.

E Pedro foi, compondo e experimentando as possibilidades sonoras e harmônicas do encontro de guitarra, voz e efeitos eletrônicos. “Um” foi todo feito só com esses três elementos e gravado ao vivo, com o músico tocando e cantando ao mesmo tempo. A inspiração foi “João Gilberto” (1973), LP minimalista do pai da bossa nova, gravado com ele pela técnica de estúdio Wendy Carlos (artista trans americana que em 1968 lançara o revolucionário LP “Switched-on Bach”, de peças clássicas relidas no sintetizador Moog).

— Se você for reparar bem, o violão desse disco do João tem grave à beça e um agudo muito rico. É um som complexo, cheio de nuances. A Wendy abre o estéreo e joga os graves para um lado e os agudos para o outro, parece algo maior do que um violão só. E a voz entra nesse amálgama, fica uma coisa só, dentro do violão — diz Pedro, que desfila em “Um” a voz grave que poucos conheciam. — Eu usava uma afinação normal de guitarra e acabava sempre me esgoelando quando cantava. Passei a afinar um tom abaixo, encontrei o lugar da minha voz e acabei curtindo a guitarra mais grave, com gordura.

Solitário em sua execução, “Um”, no entanto, traz canções nascidas de parcerias de Pedro Sá com os seus amigos da vida toda: Moreno Veloso, Domenico Lancelotti e Kassin, músicos que, depois das experiências com o Goodnight Varsóvia, formariam o projeto + 2 (sempre com colaborações do guitarrista).

— Conheci o Moreno na Escola Parque e ficamos os melhores amigos. Na (Escola Municipal) Senador Corrêa, conheci o Domenico e apresentei ele para o Moreno. E no CEL (Centro Educacional da Lagoa) conheci o Kassin e apresentei para os dois. Fui colecionando amigos de escola — recorda-se. — Eu e Moreno, a gente varava as madrugadas ouvindo música, e isso foi a minha universidade numa época em que não se tinha muita informação. Todos os discos, todas as novidades chegavam à casa do Caetano. Foram muitas madrugadas acordados.

E Caetano Veloso faz questão de dizer que essas madrugadas musicais não lhe escapam da memória.

— Pedro Sá desenvolveu um entendimento muito pessoal do fenômeno música. Estivemos juntos em discos e shows ao longo de décadas — conta o artista, que em seu mais recente álbum, “Meu coco”, trouxe a guitarra de Pedro para a música “Anjos tronchos”. — Voz, sons e palavras, tudo exibe sinceridade, imaginação e gosto próprios no “Um”. O conhecimento e o clima pessoal do Pedro estão inteiros ali. O disco aprimora a nossa cena musical.

— O Pedro é dois anos mais velho que nós, ele era o cara que, no colégio, já estava tocando pra caramba... ele já era o Pedro Sá! — entrega Kassin, hoje um conceituado produtor de discos, para quem, por sinal, “Um” já deveria ter sido feito há mais tempo. — Quem conhece o Pedro sabe o cantor e compositor que ele é.

Enquanto não acontecem os shows de “Um”, Pedro Sá não fica parado. Com o irmão Jonas Sá, ele produziu um disco para a musa pop-bossa Dulce Quental. A família, por sinal,foi decisiva para suas inclinações musicais: ao seguir as andanças dos pais pelos estúdios de gravação (Ronaldo Tapajós e Tetê Sá tiveram o grupo experimental Cinema, cultuado pelo seu único LP, de 1985), Pedro descobriu a guitarra e resolveu ter aulas, para aprimorar-se no instrumento:

— Quando vi, estava eu mesmo, ainda no colégio, dando aula de guitarra e ganhando um dinheiro.

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