Peixe-leão invade Fernando de Noronha; espécie ameaça ecossistema

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*ARQUIVO* FERNANDO DE NORONHA - PE - BRASIL, 05-12-2018, 12h00: FOLHA VERÃO. Visual da Baia dos Porcos e do Morro Dois Irmãos a partir do Mirante Dois Irmãos.  (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
*ARQUIVO* FERNANDO DE NORONHA - PE - BRASIL, 05-12-2018, 12h00: FOLHA VERÃO. Visual da Baia dos Porcos e do Morro Dois Irmãos a partir do Mirante Dois Irmãos. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - Em um intervalo inferior a dois meses, o arquipélago de Fernando de Noronha registrou 11 ocorrências de peixes-leão, a mais recente nesta sexta-feira (10).

Considerada invasora, a espécie não tem predadores naturais conhecidos no Brasil e oferece risco à vida marinha do ecossistema local e à saúde humana.

Os dados são do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), que também catalogou uma aparição no país em dezembro do ano passado. O peixe é endêmico de regiões banhadas pela confluência do oceano Índico com o Pacífico (Indo-Pacífico).

Dos 12 animais registrados em Noronha, de dezembro até agora, oito acabaram capturados, dois deles na sexta.

Outros três foram somente avistados: um na sexta, 1 na quarta (8) e outro em agosto, além de uma suspeita também em agosto.

O peixe-leão possui 18 espinhos no dorso. Na pele humana, podem inocular um veneno que causa dores, náuseas e até convulsões.

Além disso, tende a causar desequilíbrio no ecossistema local pela falta de predadores. Ele pode comer outro animal quase do próprio tamanho, se alimentar de 20 pequenos peixes em meia hora e colocar cerca de 30 mil ovos.

Embora nocivo ao ambiente, a carne do peixe-leão é considerada uma iguaria em alguns países latino-americanos, como Colômbia, Panamá, Venezuela e México.

Chefe do ICMBio em Fernando de Noronha, a analista ambiental Carla Guaitanele afirmou que os animais capturados estão congelados para serem enviados para pesquisa na UFF (Universidade Federal Fluminense), para que seja identificada a real origem dos peixes.

Pesquisadores estimam que a ocorrência da espécie no oceano Atlântico pode ter tido origem a partir de animais soltos na Flórida (EUA) há pelo menos 30 anos, o que teria resultado numa migração para a região banhada pelo mar do Caribe.

“Tudo ainda é muito incipiente, pois ainda estamos no estágio de investigação, que vai ser mais desenvolvida com a pesquisa”, afirmou. “Ainda não dá para saber se o animal já está estabelecido em Noronha, se já se reproduziu, se está apenas de passagem ou se chegou por uma corrente”, disse.

A cada aparição do peixe, de acordo com a analista, é feita uma identificação no mapa com o local onde o animal foi registrado. Se capturado, é feita a medição, pesagem e uma análise da correlação entre os exemplares retirados da natureza.

Conforme Guaitanele, a presença do peixe-leão no país pode trazer um desequilíbrio ambiental. “Como se trata de uma espécie invasora, os animais locais ainda não sabem como lidar com ela, o que pode causar uma interferência negativa no ecossistema.”

“Por isso, pedimos às pessoas que evitem contato com esse tipo de peixe, a não ser aquelas que tenham sido capacitadas para isso”, afirmou. “Pedimos que, se estiverem com equipamento adequado, ao avistarem o animal, façam a captura. Caso contrário, que façam uma marcação.”

Segundo a analista, três equipes de mergulhadores já passaram por treinamento do órgão para capturar a espécie em Fernando de Noronha. No próximo mês, um especialista do Caribe deverá chegar ao Brasil para realizar uma capacitação de nível mais avançado.

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