Pelé é torcedor do Boca Juniors? Jornal argentino relembra conexão do rei com o rival do Santos na Libertadores

O Globo
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Nesta quarta-feira, o Santos vai à Bombonera enfrentar o Boca Juniors pela semifinal da Copa Libertadores. O confronto entre as equipes mexe não só com os torcedores, como com o maior ídolo do clube: o rei Pelé tem uma conexão especial com o Boca, e já chegou até a vestiar a blusa da equipe. O jornal argentino 'Olé' foi atrás de relatos para relembrar o que aproxima o maior jogador da história do futebol brasileiro com um dos maiores e mais icônicos clubes de futebol da América do Sul.

— Com o Boca tive uma relação quase amorosa. O 'dá-lhe Boca' pode incentivar qualquer jogador do mundo às maiores façanhas. O jogador do Boca que não treme com esse estímulo está doente ou na profissão errada. Para o primeiro caso, é melhor ir ao médico. Para o segundo, não existe outra solução a não ser deixar o futebol — disse o Rei à revista argentina El Gráfico, em entrevista na época em que jogar pelo New York Cosmos.

Pelé conhece bem o ambiente da Bombonera. Em 1963, o Santos ficou com o bicampeonato da Libertadores ao bater o Boca de virada, por 2 a 1. Coutinho e Pelé marcaram naquela partida, disputada em ambiente hostil, com muitas vaias e pedradas.

Mesmo com o episódio, o Rei desenvolveu uma admiração pelo clube e pelo bairro onde este fica localizado, La Boca, em Buenos Aires. Segundo o 'Olé', foram várias visitas ao local, muitas em companhia do zagueiro brasileiro Orlando Peçanha, que atuava pelos xeneizes e era amigo próximo de Pelé, além de outros jogadores brasileiros. A admiração pelo clube também teria influência do respeito de seu pai, João, por atletass argentinos de sua época.

— Algumas de minha maiores emoções, como jogador e como homem, vivi na Argentina, na Bombonera e em La Boca — disse ao Rei em entrevista ao diário argentino Clarín, em 1978.

Camisa e convite

Em uma de suas visitas a Buenos Aires, Pelé chegou até mesmo a ser convidado para atuar no Boca. Segundo o periódico, o Rei e Peçanha encontraram Alberto J. Armando, icônico presidente do Boca, em um almoço. Durante a refeição, ficaram amigos e o dirigente acenou com a proposta, que acabou não progredindo.

— Estava tão comprometido com o Santos que não foi possível. Ganhava muito dinheiro e não havia como pagá-lo — declarou ao "Olé" Luis Bortnik, dirigente do clube e contemporâneo de Alberto J.

Mesmo que Pelé não tenha se juntado ao clube, ficou o carinho. O Rei chegou a posar, em foto icônica, com a camisa 10 xeneize. Na ocasião, o Rei disputaria um amistoso contra o Boca pelo New York Cosmos, uma de suas últimas partidas pelo clube americano — e da carreira.