Pelé protagonizou encontros com líderes mundiais

***ARQUIVO*** SANTOS, SP, 28.11.2018 - Entrevista com Pelé, campeão nas Copas do Mundo de 1958, 1962 e 1970, no museu que leva seu nome, em Santos. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)
***ARQUIVO*** SANTOS, SP, 28.11.2018 - Entrevista com Pelé, campeão nas Copas do Mundo de 1958, 1962 e 1970, no museu que leva seu nome, em Santos. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dos atletas mais admirados da história, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, morto nesta quinta (29), aos 82 anos, sempre evitou o ativismo político, mas ainda assim protagonizou encontros históricos com líderes mundiais. O prestígio conquistado dentro de campo deu ao rei do futebol a oportunidade de se reunir com políticos de diferentes espectros ideológicos, chefes religiosos e realezas.

Seis presidentes ou ex-líderes dos EUA se encontraram com o brasileiro. Num dos episódios mais marcantes, em 1973, Pelé foi recebido por Richard Nixon (1969-1974) na Casa Branca, em Washington.

Em um encontro em tom bem informal e carimbado por risadas, o tricampeão mundial, que ainda atuava pelo Santos, explicou as diferenças entre o futebol com os pés e cabeça e o futebol americano.

"Você fala alguma coisa em espanhol?", perguntou Nixon ao encontrá-lo. "Não, português. Mas é tudo a mesma coisa", respondeu ele, desinibido, por meio do tradutor, antes de posar para foto com o americano.

Pelé voltaria outras vezes à Casa Branca. Em 1974, quando jogava no New York Cosmos, o jogador posou para fotos e bateu bola com Gerald Ford (1974-1977) nos jardins da residência. O brasileiro tentou ensinar o americano a fazer embaixadinhas, mas o republicano preferiu arriscar lances com a bola nas mãos.

Oito anos depois, Pelé foi reverenciado por Ronald Reagan (1981-1989) no mesmo local. "Prazer, sou Ronald Reagan, presidente dos Estados Unidos. Mas você não precisa se apresentar, porque Pelé todo mundo sabe quem é", teria dito o americano ao se encontrar com o brasileiro em 1982.

Jimmy Carter (1977-1981), Bill Clinton (1993-2001) e Barack Obama (2009-2007) foram outros líderes americanos que se reuniram com o rei do futebol. Obama conheceu o brasileiro em 2019, quando já havia deixado a Presidência e visitou o Brasil para participar de um evento sobre economia e negócios digitais.

Adversário dos EUA no xadrez geopolítico, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, encontrou Pelé em Moscou durante a Copa das Confederações de 2017, campeonato realizado um ano antes do Mundial.

Recentemente, o tricampeão mundial lembrou o encontro para criticar a Guerra da Ucrânia em carta aberta ao presidente russo. Chamou o conflito de "perverso", destacando que não existem argumentos que justifiquem a violência. "Quando nos conhecemos e trocamos um grande sorriso acompanhado de um longo aperto de mãos, era inimaginável que poderíamos um dia estar tão divididos quanto estamos hoje."

O rei de futebol também esteve tête-à-tête com membros de famílias reais, como a Rainha Elizabeth 2º (1926-2022) e o atual príncipe de Mônaco, Albert 2º. Na seara religiosa, o brasileiro esteve cara a cara com três papas: Paulo 6º (1963-1978), João Paulo 2º (1978-2005) e Bento 16 (2005 a 2013).

Já o papa argentino Francisco, fã declarado de futebol, ganhou uma camisa autografada do rei, mas não o conheceu pessoalmente. O presente foi entregue em 2014 pela então presidente Dilma Rousseff (PT).

No Brasil, Pelé se encontrou com vários presidentes, entre os quais Juscelino Kubitschek, José Sarney, Fernando Collor de Mello, Dilma, além do hoje presidente eleito, Lula. Durante a ditadura militar (1964-1985), conheceu líderes do regime, que buscaram se aproximar dos atletas da seleção tricampeã mundial.

No governo de Fernando Henrique Cardoso, Pelé comandou o Ministério dos Esportes, consagrando a Lei Pelé, que garantiu direitos trabalhistas a jogadores de futebol.