Pela 1ª vez, Trump diz que pode não estar na Presidência daqui a algum tempo

RAFAEL BALAGO
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em discurso nesta sexta (13), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pode não estar no cargo em breve. "Essa administração não fará um lockdown. Espero que, o que quer que aconteça no futuro, quem sabe qual administração será, eu acho que o tempo dirá, eu posso dizer a vocês que essa administração não fará um lockdown", disse Trump, no jardim da Casa Branca. No discurso, o presidente destacou os esforços do governo para acelerar a produção de vacinas e combater a Covid-19. E disse que haverá distribuição gratuita de vacinas feitas pela Pfizer, depois que elas forem aprovadas. As doses serão dadas primeiro a funcionários de saúde, idosos e grupos de risco. Ele não deu datas precisas, mas estimou que as vacinas poderão estar acessíveis para todos nos EUA até abril de 2021. Este foi o primeiro discurso dele em dias. Trump, 74, apareceu com o cabelo praticamente branco, em vez de loiro, como era visto até a semana passada. Desde a eleição, essa foi a primeira vez em que o republicano afirmou em público que encara as possibilidades de que ele deixe o cargo em janeiro e de que outro governo assuma o país. Durante toda a campanha eleitoral, Trump deu diversas declarações de que ele seria o vencedor da disputa, e que se perdesse a reeleição, seria por conta de fraudes. No sábado (7), o democrata Joe Biden foi apontado como vencedor da eleição realizada na terça passada (3), mas Trump se recusa a assumir a derrota. O presidente fez discursos e postagens dizendo que ele é o verdadeiro ganhador, e diz repete que houve fraude nas eleições, sem apresentar provas. O republicano aposta em uma série de processos na Justiça para tentar reverter o resultado da apuração. No entanto, mesmo membros de seu partido reconhecem a vitória de Biden, que teve 5 milhões de votos a mais. Com isso, uma reviravolta no resultado é considerada bastante improvável. Nesta sexta (13), projeções da CNN e do The New York Times confirmaram os resultados dos dois últimos estados onde a disputa era considerada indefinida: Biden venceu na Geórgia e Trump conquistou a Carolina do norte. Assim, o placar nacional projetado pelos dois veículos está em 306 votos no Colégio Eleitoral para Biden e 232 para Trump. Por coincidência, o republicano conquistou 306 delegados em 2016, e Hillary Clinton, 232, na projeção feita a partir dos votos populares. Na votação final dos delegados, Trump teve 304 votos, porque dois delegados mudaram de lado na votação do Colégio Eleitoral. A vitória de Biden na Geórgia neste ano tem grande simbolismo, pois o estado era considerado vitória garantida para os republicanos, que ganharam todas na região desde 1992. O democrata também foi o primeiro desde 1960 a conquistar a Presidência sem vencer na Flórida e em Ohio num mesmo pleito. Os principais veículos de imprensa nos EUA apontaram a vitória de Biden no sábado (7), mesmo sem levar em conta alguns estados que não tinham resultado definido, pois os cálculos indicaram que o republicano já não tinha mais condição de virar o jogo. Nos EUA, não há um órgão nacional de apuração, e a aclamação do vencedor é feita pelos órgãos de imprensa, a partir de projeções matemáticas feitas durante a contagem dos votos.