Pela primeira vez, Rio será comandado por interinos no estado e na capital ao mesmo tempo

Lucas Altino
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Foto: Marcos de Paula / Agência O Globo

RIO — Desde a manhã desta terça-feira, o prefeito do Rio é o presidente da Câmara dos Vereadores, Jorge Felippe (DEM), ao mesmo tempo em que o estado é governado por Claudio Castro (PSC), vice do governador eleito Wilson Witzel (PSC). Isso significa que, pela primeira vez, o estado e a capital do Rio são administrados, simultaneamente, por interinos.

Enquanto o Rio sofre com histórico recente de governadores presos, seja no exercício ou não de seus mandatos, Marcelo Crivella simbolizou a primeira prisão de um prefeito eleito do Rio. Como não há vice na cidade, desde o óbito de Fernando Macdowell, o presidente da Câmara Municipal, Jorge Felippe, que assumirá o posto. Já Wilson Witzel não está na cadeia, mas foi afastado da função por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), pois é suspeito de participação nos desvios de contratos na área da saúde, principalmente durante a pandemia.

Em 2021, Eduardo Paes iniciará o 13º mandato de um prefeito do Rio, desde a fusão dos estados do Rio e da Guanabara. Entretanto, como ele, Marcello Alencar e Cesar Maia tiveram mais de um mandato, Paes é o 10º prefeito do período. Destes, metade foi nomeado pelo governo estadual, pois antes de 1988 o voto popular estava proibido pela ditadura militar. Assim, Marcos Tamoyo, Israel Klabin, Julio Coutinho e Jamil Haddad foram nomeados. Marcello Alencar também foi, no último mandato antes de 1988, mas depois ele foi eleito outra vez nas urnas.

Desde a Constituição de 1988, todos prefeitos do Rio haviam concluído seus mandatos, série agora interrompida pela prisão de Marcelo Crivella. Já durante a ditadura militar, houve casos de renúncia por problemas políticos. Primeiro com Israel Klabin, que deixou a prefeitura em 1980 por conta dos atritos com o governo federal, devido a sua proposta de reexaminar a lei da fusão entre os estados da Guanabara e do Rio, e então foi substituído por Júlio Coutinho. Depois, Jamil Haddad renunciou em 1983, poucos meses após assumir o posto, por discordâncias dentro do seu então partido, o PDT. Para seu lugar, Alencar foi nomeado.

Em relação aos governadores, desde a fusão, o primeiro governador a não ter concluído seu mandato foi Leonel Brizola, em sua segunda passagem. Mas nesse caso, o seu vice Nilo Batista assumiu, nos últimos meses de gestão, por causa da decisão de Brizola de concorrer a presidente, na eleição de 1994. O mesmo aconteceu com Anthony Garotinho, que em meados de 2002 deixou o cargo para sua vice Benedita da Silva, para tentar a presidência.

A última vez que o mandato de governador do Rio foi concluído foi com Sergio Cabral, eleito em 2006 e reeleito em 2010. No seu segundo mandato, porém, no meio de 2014, muito desgastado com protestos e acusações de corrupção, ele renunciou, para que seu vice, Luiz Fernando Pezão, conseguisse maior sucesso nas eleições daquele ano. A estratégia deu certo, e Pezão venceu o pleito, mas não concluiu o mandato, pois foi preso no final de 2018.

Já a passagem de Wilson Witzel à frente do governo estadual foi ainda mais rápida. Eleito em 2020, foi afastado pelo STJ no final de agosto, e agora se vê em meio a um avançado processo de impeachment na Alerj. Dos governadores eleitos do Rio, todos os que estão vivos - com exceção de Witzel, que é investigado - já foram presos: Moreira Franco, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Sergio Cabral e Pezão.