Pela quinta semana, prefeitura do Rio mantém todas as regiões administrativas com risco alto para a Covid-19

Rodrigo de Souza
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A cidade do Rio tem seis Regiões Administrativas (RAs) com risco alto para a Covid-19 e 28 com risco moderado, segundo o boletim epidemiológico da Prefeitura divulgado nesta sexta-feira (19). Apesar disso, a a administração municipal decidiu manter toda a cidade no nível de alto risco para a contaminação.

As regiões com pior cenário são Copacabana, Lagoa, Tijuca, Rocinha, Barra da Tijuca e Vila Isabel. No último boletim, publicado no dia 12 de fevereiro, todas as 34 regiões administrativas da cidade estavam destacadas em vermelho no mapa.

Os dados apresentados nesta sexta não dizem respeito ao período do carnaval — que embora com a folia cancelada teve casos de aglomerações e desrespeitos às regras sanitárias em diferentes regiões da cidade. Ainda assim, a prefeitura definiu como "saldo positivo" esses dias.

A divulgação dos números da capital acontecem na mesma semana em que o município teve que parar a vacinação dos idosos por falta de doses. Apenas o público que recebeu a primeira dose está buscando os postos para a aplicação da segunda parte do imunizante. O cenário ainda conta com a comprovação de casos das novas cepas de coronavírus provenientes de Manaus e do Reino Unido.

Técnicos da Prefeitura do Rio já consideram "muito provável" a transmissão local da variante do coronavírus oriundo de Manaus. Um dos casos confirmados é de um homem de 40 anos. O paciente mora com a esposa e filho em Laranjeiras, na Zonal Sul. Ele viajou para Recife (PE) no dia 30 de dezembro e retornou ao Rio no dia 13 de janeiro. Ele relatou para as autoridades de saúde que não sentiu nenhum sintomas de Covid-19 na viagem ou na semana seguinte ao retorno.

A descoberta de cinco pessoas contaminadas por variantes do coronavírus — quatro por cepas descobertas em Manaus e uma por outra do Reino Unido — expôs falhas no sistema de controle epidemiológico no Rio. Na quarta-feira, o secretário estadual de Saúde, Carlos Alberto Chaves, disse em entrevista coletiva que tomou conhecimento dos casos pela mídia e não oficialmente pelo Ministério da Saúde. O GLOBO apurou que um homem de 55 anos contaminado pela cepa de Manaus teve sua primeira internação ainda em janeiro em um hospital da Baixada Fluminense, foi transferido no dia 1º deste mês para o Hospital Evandro Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e morreu no último dia 6. Só na terça-feira, dez dias após a morte do paciente, o que demandaria rastreio de parentes e investigação sobre a origem do contágio, a informação chegou à Secretaria de Saúde de Belford Roxo, município em que ele residia.

A cidade do Rio vem com todas as 33 Regiões Administrativas (RAs) em risco alto de contágio para Covid-19 há quatro semanas consecutivas. Apesar da comprovação de casos com as novas cepas oriundas de Manaus e do Reino Unido, a capital não prevê o endurecimento das regras sanitárias para conter o avanço da Covid-19.

A Prefeitura do Rio divulgou o primeiro boletim epidemiológico de risco para a Covid-19 na cidade em 8 de janeiro. A publicação de lançamento colocava 18 das 33 Regiões Administrativas (RAs) em classificação de risco alto, e as 15 restantes com risco moderado.

Na semana seguinte, no dia 15 de janeiro, 18 RAs tiveram piora e também passaram para risco alto, restando apenas cinco em nível moderado. O destaque ficou com o bairro de Realengo, que melhorou segundo o boletim.