Pele de tilápia é utilizada para construir canal vaginal em mulher com síndrome rara

Obstetra-ginecologista segurando modelo de ferramenta de ensino do útero e ovário da mulher. (Foto: Getty Creative)
Obstetra-ginecologista segurando modelo de ferramenta de ensino do útero e ovário da mulher. (Foto: Getty Creative)

Pela primeira vez, uma brasileira teve o canal vaginal criado a partir da pele de tilápia. O procedimento cirúrgico feito com o peixe de água doce aconteceu na Maternidade Escola Assis Chateaubriand, da Universidade Federal do Ceará (UFC), em Fortaleza.

Jucilene Moreira, 28 anos, nasceu com a síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser, também conhecida pelas siglas SMRKH.

A doença é caracterizada pela atrofia parcial ou completa da vagina. A mulher, de Lavras da Mangabeira, interior do Ceará, conta que o pós-operatório foi tranquilo e que não ficou com nenhuma cicatriz. Ela conta ainda que é casada e que tem uma vida sexual ativa, sem sentir qualquer incômodo.

A técnica de reconstrução feita com o uso da pele de tilápia em mulheres que nasceram com a SMRKH foi elaborada em 2017 pelo médico Leonardo Bezerra, professor de ginecologia da UFC e pela médica Zenilda Vieira Bruno. Bezerra se inspirou no tratamento que utiliza do peixe como recurso terapêutico em queimaduras de pele. Por outro lado, Zenilda já fazia cirurgia de reconstrução vaginal, mas para isso ela se utilizava uma parte da pele da virilha da paciente. O resultado era satisfatório, mas gerava uma cicatriz grande na virilha.

O procedimento cirúrgico demora 40 minutos onde os médicos criam artificialmente através de incisões um espaço entre o reto e a vagina. E a pele do peixe é então usada para dar suporte para o buraco não fechar. O experimento foi revolucionário porque além do baixo custo, a pele de tilápia não evoluiu com rejeição, nem com infecção.

A pele de Tilápia também já foi utilizada para criar um canal vaginal em pessoas transexuais na Colômbia. Médicos colombianos, que atuam em parceria com Bezerra, já operaram 50 pessoas utilizando desse método e todas foram um sucesso. Entretanto, o governo do Ceará não autorizou cirurgias de redesignação sexual em pacientes transexuais.

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