Coronavírus: pelo menos 15 estados decidem manter quarentena em combate à Covid-19

Guilherme Caetano e Sérgio Roxo
Medidas foram prorrogadas em 15 estados. (Foto: Lucas Uebel/Getty Images)

Assim como anunciou o governo de São Paulo nesta segunda-feira, pelo menos 15 governos estaduais decidiram prorrogar as regras de quarentena com restrição do funcionamento do comércio e de escolas. Governadores que chegaram a prometer flexibilização das medidas voltaram atrás e optaram pela manutenção do isolamento social como principal forma de combate ao novo coronavírus.

No Rio, as restrições estão mantidas até dia 13 de abril. O governador Wilson Witzel (PSC) havia anunciado que iria reavaliar as medidas no último sábado. A secretaria estadual de Saúde, no entanto, ainda está avaliando os resultados da última semana. Segundo a pasta, eventuais mudanças passarão pelo crivo de Witzel ao longo dos próximos dias, seja um afrouxamento ou um endurecimento das restrições.

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Em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) anunciou, nesta segunda-feira, a prorrogação da quarentena para todos os municípios do estado até o dia 22 de abril. Ele justificou a medida dizendo que o governo paulista escolheu preservar vidas e depois recuperar a economia.

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— No Brasil quero lembrar que defendem o isolamento os ministros da Saúde, da Justiça e da Economia, o vice-presidente da República e a maioria absoluta de médicos e cientistas. Será que todos eles estão errados? Será que a ciência e a Organização Mundial de Saúde estão erradas? Um único presidente da República no mundo está certo e detém o conhecimento para discordar do mundo que quer proteger vidas? — disse.

Nos últimos dias, governos como o do Ceará, Maranhão e Bahia publicaram decretos para prorrogar as medidas restritivas. Santa Catarina, que no mês passado tinha anunciado a abertura do total do comércio, inclusive shoppings a partir do dia 1º, voltou atrás na semana passada. No domingo, o governo de Carlos Moisés (PSL)  autorizou a abertura de consultórios médicos, veterinários e odontológicos, além de autônomos, como advogados.

O Ceará prorrogou no fim de semana o fechamento do comércio até o dia 15 . Num decreto inicial, o governador Camilo Santana havia autorizado atividades de parte da indústria, comércio das áreas de limpeza, higiene e material de construção, além de feiras populares. No entanto, recuou três horas depois, revogando a medida.

"Diante da argumentação feita pelo nosso Comitê de Saúde, demonstrando preocupação com as flexibilizações de funcionamento colocadas pelo Governo do Estado nesse último decreto que entraria em vigor nesta segunda-feira (6), decidi revogar imediatamente o mesmo, e publicar um novo decreto, mantendo todas as proibições dos decretos anteriores, e com o mesmo prazo de validade de 15 dias. Se houve um erro nessa proposta de flexibilização, que seja imediatamente corrigido", disse o governador cearense em uma rede social.

O estado do Amazonas também deve endurecer as medidas, caso a população não cumpra a quarentena.

— Quem não cumprir a quarentena poderá ser preso - disse, no sábado, o governador Wilson Lima.

Na Bahia, as normas pelo fechamento do comércio valem até o dia 15. No sábado, o governador Rui Costa (PT) prorrogou a proibição de viagens de ônibus intermunicipais até o dia 15. Na sexta-feira, o Maranhão prorrogou a suspensão do funcionamento do comércio até o dia 12 e as aulas até o dia 26. Há casos, entretanto, casos de flexibilização.

No Acre e no Amapá, decretos publicados na última sexta-feira prorrogaram por outros 15 dias as restrições que haviam sido impostas em 20 de março. Há estados com fechamentos determinados até o fim do mês, como Piauí e Distrito Federal.

Em outros, como Pernambuco, Minas e Paraná, a proibição é indefinida. No Pará, as restrições para o comércio também valem por tempo indeterminado. Já o decreto que suspendia as aulas foi prorrogado até o dia 15 de abril. A mesma data é o prazo para o fechamento do comércio no Rio Grande do Sul, após o governador Eduardo Leite (PSDB) prorrogá-lo no último dia 1º. As aulas na rede pública estão suspensas até o fim do mês.

O governo de Goiás também estendeu as regras de isolamento até 19 de abril, prorrogando as medidas tomadas em 13 de março. No entanto, liberou a reabertura de feiras livres e hortifrutigranjeiros, "desde que observadas as boas práticas de operação padronizadas pela Secretaria de Estado de Agricultura", de acordo com o decreto.

- Prorrogamos o decreto para termos a segurança de que só iremos avançar na liberação (das restrições) depois que tivermos outros hospitais funcionando, em condições de absorver os pacientes. Se tivermos um aumento muito grande no estado, sozinhos não daremos conta — afirmou o governador Ronaldo Caiado (DEM).

Há, no entanto, autoridades que avaliam flexibilizar a medida, como é o caso de Minas Gerais, em que o governador Romeu Zema disse ensta segunda-feira que pode começar a diminuir as medidas erstritivas no interior do estado.

O governador Romeu Zema (Novo) disse, em entrevista exclusiva à Itatiaia nesta segunda-feira, que deve flexibilizar medidas de confinamento para algumas cidades do interior. No entanto, as regras mais rígidas devem ser mantidas para Belo Horizonte, que tem muitos espaços de aglomerações. Zema disse também que a escala do pagamento dos servidores pode ser divulgada nesta semana, não descartou deixar de pagar fornecedores para quitar os salários e ressaltou que na última semana o número de casos da covid-19 subiu em proporção menor.

- O número de novos casos aumenta dia a dia, mas com uma tendência à estabilidade e, posteriormente, até a um decréscimo. Isso nos torna muito animados com relação a alguma medida de flexibilização para os próximos dias. Estamos acompanhando essa curva praticamente hora a hora - disse, segundo o site G1. 

Em Rondônia, o estado de calamidade pública foi prorrogado, mas a partir de 12 de abril alguns estabelecimentos comerciais poderão abrir, como lanchonetes, restaurantes, lojas de informática e livrarias. Já em Roraima, o governo liberou todo o comércio do estado para fazer delivery e drive thru.

Nos dois estados, os governadores são do PSL e aliados de Jair Bolsonaro.

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