Pelo menos 25 mulheres denunciam cirurgião plástico no RJ por erro médico

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Pelo menos 25 mulheres já procuraram a Delegacia de Atendimento à Mulher de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, para denunciar por erro médico o cirurgião plástico equatoriano Bolívar Guerrero Silva, 63. Ele está preso desde o dia 18, suspeito de manter uma paciente em cárcere privado em um hospital.

Responsável pela investigação, a delegada Fernanda Fernandes confirmou que as denúncias foram feitas por mulheres atendidas pelo cirurgião, porém não forneceu detalhes a respeito dos casos.

Pacientes que procuraram a delegacia afirmaram que ficaram deformadas e com sequelas após terem sido operadas por Silva.

Procurado, o advogado de defesa dele, Darlan Renato, não atendeu as ligações.

Nesta segunda, quando os casos já chegavam a 20, a defesa do médico disse que não poderia comentar os casos que chegaram à delegacia porque ainda não tinha tido acesso aos relatos.

A prisão do cirurgião ocorreu a partir do caso da paciente Daiana Chaves Cavalcanti, 36.

Depois de realizar uma abdominoplastia em março, ela retornou outras duas vezes ao Hospital Santa Branca, do qual Silva é sócio, ao sentir dores no período pós-operatório.

No início deste mês, voltou a ser internada no hospital e permaneceu contra a própria vontade, segundo a família, porque Silva não a liberava. Enquanto isso, feridas não cicatrizadas foram se agravando, a ponto de necrosar.

Cavalcanti foi resgatada pela polícia. Na última quinta (21), ela foi transferida para o Hospital Federal de Bonsucesso, zona norte do Rio, onde ainda permanece internada.

Silva foi preso em caráter provisório, por um prazo de cinco dias, que a Justiça prorrogou por mais cinco. A defesa entrou com pedido para que a prisão provisória não se converta em preventiva.

A defesa de Cavalcanti entrou na Justiça com um pedido de reparação por danos morais no valor de R$ 200 mil contra o Hospital Santa Branca e contra Silva.

A mulher passou por um procedimento cirúrgico no último sábado (23) para reparar os pontos na barriga que estavam em processo de necrose. Segundo o marido dela, a paciente está mais animada, conversa melhor e já sente fome, diferentemente da semana anterior.

A defesa do cirurgião diz que pretende entrar com uma representação judicial contra Cavalcanti. Darlan Renato afirma que não houve cárcere privado porque a paciente nunca foi impedida de sair, desde que assinasse um termo de responsabilidade.

Em nota, o Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro) afirmou que ainda não concluiu a sindicância aberta para apurar os fatos e que o profissional já foi punido anteriormente pelo conselho com a suspensão do exercício profissional por 30 dias. Consta também, no nome do cirurgião, um processo ético.

O Hospital Santa Branca disse, em nota, que as alegações de Cavalcanti são "inverídicas", que "jamais houve qualquer tentativa de mantê-la em nosso estabelecimento contra a sua vontade" e que "a paciente teve prestado pelo hospital todos os cuidados devidos".

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