Pelo segundo ano, Barretos cancela Festa do Peão devido à pandemia e dá lugar a lives

**ARQUIVO**BARRETOS, SP, 22.08.2019 - Peões montam touros em prova da Festa do Peão de Boiadeiro em Barretos (SP). (Foto: Ricardo Benichio/Folhapress)
**ARQUIVO**BARRETOS, SP, 22.08.2019 - Peões montam touros em prova da Festa do Peão de Boiadeiro em Barretos (SP). (Foto: Ricardo Benichio/Folhapress)

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Evento que reúne anualmente entre 900 mil e 1 milhão de visitantes, a Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, mais tradicional evento do gênero no país, não será realizada pelo segundo ano seguido devido à pandemia da Covid-19.

Programada inicialmente para ocorrer entre 19 e 29 de agosto em Barretos (a 423 km de São Paulo), a 65ª edição da festa agora está marcada para agosto do ano que vem e, em seu lugar, a organização fará cinco dias de lives com provas de rodeio e shows, todos sem público.

O anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira (22) pela associação Os Independentes, que organiza a festa desde 1956.

Com isso, haverá montarias em touros e provas cronometradas com cavalos entre os dias 25 e 29 do próximo mês, transmitidas em lives durante a tarde e a noite.

Já os shows estão programados para os dias 27 e 28. Na primeira data, a dupla Cesar Menotti & Fabiano se apresentará com convidados e, no segundo, Wesley Safadão receberá Simone & Simaria, Matheus & Kauan e Cesar Menotti & Fabiano.

Os shows serão transmitidos pelo canal da festa no Youtube (e, no segundo dia, também no de Safadão). Já as montarias terão transmissão pelo Facebook da PBR (Professional Bull Riders) dia 26 e pelo canal Sportv 3, no dia seguinte. As outras disputas serão exibidas no Youtube.

Os indicativos de que a festa não seria realizada com a presença de público estavam claros nos últimos meses, já que a organização não havia iniciado a venda de ingressos -o que normalmente acontece no início do ano- nem divulgado a programação musical, composta por cerca de cem shows distribuídos em quatro palcos no Parque do Peão, recinto projetado por Oscar Niemeyer (1907-2012).

A diferença é que, ao contrário de 2020, quando a organização ainda optou inicialmente pelo adiamento do evento para outubro, a decisão agora foi a de cancelar diretamente a sua realização.

As aglomerações são o principal problema de um evento do tipo e evitar que isso aconteça é praticamente impossível. O estádio de rodeios, que abriga o principal palco, comporta 55 mil pessoas, das quais 35 mil nas arquibancadas e 20 mil na arena.

A decisão pela não realização neste ano foi tomada, de acordo com Jerônimo Luiz Muzetti, presidente de Os Independentes, em sintonia com o cenário da pandemia.

"A decisão do novo adiamento está em conformidade com as atuais condições que estamos enfrentando em nosso país e reafirmamos que nossa prioridade sempre foi e sempre será a segurança de todos os visitantes, apaixonados pelo evento, e também de todos os envolvidos", disse.

Muzetti afirmou ainda que a programação virtual foi desenvolvida "para levar um pouco de esperança de dias melhores" para as pessoas.

Desde março do ano passado, a pandemia já causou o cancelamento de centenas de festas do tipo em estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás, gerando desemprego e perda de renda para seguranças, ambulantes, equipes de apoio, estafes de artistas, salva-vidas, peões e tropeiros. Especialmente nas pequenas localidades, as festas de peão são a principal atração do ano.

Para entidades de proteção animal, que em 2020 celebraram a não realização dos eventos country, as montarias em touros e cavalos não deveriam existir por deixarem os animais expostos a som muito alto e a outras situações que, segundo elas, configuram tortura aos bichos.

Entre as queixas, a principal é o uso do sedém -uma cinta de lã que passa pela virilha dos animais, usada nos rodeios-, mas elas também reclamam do uso de condutor elétrico nos animais, da forte iluminação das arenas e do tempo de espera pelas montarias. Os eventos negam maus-tratos.

Barretos é a principal festa do país por ter sido onde os rodeios se originaram, em 1947, quando provas de montaria integraram a programação de uma quermesse. Nove anos depois, sob a lona de um circo, foi realizada a primeira edição da Festa do Peão.

Essa tradição surgiu porque a cidade era passagem obrigatória das comitivas que levavam o gado entre os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, além de ter frigorífico desde 1913.

No descanso das comitivas de peões boiadeiros, eles dormiam e se alimentavam em Barretos. Em noites regadas a música e brincadeiras, surgiram montarias, ainda improvisadas, nos bois.

Com 122 mil habitantes, Barretos registrou até esta quarta-feira (21) 528 mortes em decorrência do novo coronavírus, num universo de 18.643 casos confirmados da doença.

Cinco óbitos, segundo a prefeitura, foram confirmados num intervalo de 24 horas, com vítimas que tinham de 43 a 63 anos.

Há hospitais com taxa de ocupação de 100% em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva), como a Santa Casa e o AME.

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