Pena prevista para envolvidos em caso de morador de rua morto em frente a emergência é de três anos de prisão

Gustavo Goulart
Morador de rua morreu na calçada da Coordenação de Emergência Regional

RIO — O delegado-titular da 4ª DP (Praça da República), Rodolfo Waldeck, informou, na manhã desta sexta-feira, o que a investigação sobre a morte do homem em situação de rua ao lado do Coordenação de Emergência Regional (CER) Centro, na Rua Frei Caneca, está em andamento. Segundo ele, inicialmente o caso é tratado como um crime de vilipêndio a cadáver — vilipendiar é desprezar ou menosprezar algo. O delito está previsto no artigo 212 do Código Penal e prevê pena de um a três anos de detenção e multa.

 

Um vídeo obtido com exclusividade pelo EXTRA mostra que o morador de rua foi carregado por dois homens de terno e gravata, a mesma roupa de todos os seguranças do local, por volta das 5h desta quinta-feira. O homem foi deixado na calçada. É possível ver ainda que uma das pessoas chega a vomitar próximo ao morador de rua após deixá-lo. Segundos depois os dois retornam levando a cadeira de rodas vazia.

Waldeck ressaltou, no entanto, que vai tomar o depoimento de todos os envolvidos e que outros crimes poderão surgir a partir daí. O delegado afirmou ainda que as imagens podem configurar provas de outros delitos.

O delegado também informou que está aguardando o resultado da perícia do Instituto Médico-Legal (IML) para saber a causa da morte e a identificação da vítima.

— Estamos investigando. Entre várias providências, iremos realizar as oitivas dos envolvidos. Por ora, estamos investigando, inicialmente, um delito de vilipêndio a cadáver. Poderá ter outros — disse o delegado Rodolfo Waldeck.

O flagrante foi feito por câmeras de segurança da região e mostram que por volta das 5h desta quinta-feira, os homens carregam o morador de rua até o local e o deixam na calçada. É possível ver ainda que uma das pessoas chega a vomitar próximo ao morador de rua após deixá-lo. Segundos depois os dois retornam levando a cadeira de rodas vazia.

— Vi quando duas pessoas saíram com ele da CER numa cadeira de rodas e o colocarem na calçada. Ele estava se debatendo de dor e vomitava um líquido preto. Quando saí de novo, às 7h20m, ele já estava morto – disse o comerciante Ancelmo Gomes.