Pence denuncia a China por negar visto a representante de Guaidó

O vice-presidente americano Mike Pence e o líder opositor venezuelano Juan Guaidó, em 25 de fevereiro de 2019, em Bogotá

O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, acusou nesta sexta-feira a China de minar o avanço democrático na América Latina negando um visto para o representante da Venezuela ante o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), nomeado pelo líder opositor Juan Guaidó para participar a reunião anual da instituição.

Pence disse em uma coluna de opinião que as autoridades chinesas negaram o visto para Ricardo Hausmann, representante da Venezuela nomeado por Guaidó, que há dois meses trava uma luta pelo poder com o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Estados Unidos e mais de 50 países reconhecem Guaidó como presidente interino e exigem a saída de Maduro, cuja reeleição foi considerada ilegítima.

A China, tradicionalmente a favor de uma política externa baseada na não-interferência, absteve-se de tomar partido na atual crise política que abala o país latino-americano.

A reunião anual do BID acontecerá de 28 a 31 de março em Chengdu, capital da província chinesa de Sichuan (sudoeste).

"Mais uma vez, a China está promovendo seus próprios interesses às custas do povo venezuelano", escreveu Pence no Miami Herald.

"Os chineses estão atrapalhando o progresso do hemisfério para a democracia, recusando-se a conceder um visto oficial para Ricardo Hausmann, o representante legal da Venezuela", disse Pence, considerando que é "a primeira vez na história"d o Banco que uma nação anfitriã recusa-se a receber o delegado de um Estado membro da organização.

Consultado pela AFP, um porta-voz do BID se recusou a comentar o assunto.

A instituição interamericana tornou-se, na última sexta-feira, a primeira instituição financeira multilateral a reconhecer Guaidó como o legítimo presidente da Venezuela, ao aprovar uma resolução endossando a nomeação de Hausmann.

A China é o principal credor da Venezuela. Durante a última década, Pequim concedeu mais de 60 bilhões de dólares em empréstimos para Caracas, dos quais o país sul-americano ainda deve cerca de 20 bilhões.